O governo está esperando um crescimento da economia de 4,5% para o ano que vem. Esta é a projeção que os técnicos da equipe econômica estão usando na elaboração do Orçamento de 2001. Esse porcentual de elevação do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas no País, é considerado moderado para uma meta de inflação de 3,5%, fixada pelo governo para o próximo ano.
Projeção feita por técnicos da equipe econômica é considerada ‘moderada’ tendo em vista a perspectiva de inflação de 3,5%
Quando a estimativa de inflação foi divulgada, a avaliação de especialistas era de que a taxa seria compatível com um crescimento de 5%. Como a equipe econômica reduziu o ritmo de queda da inflação, que até 2000 vinha caindo a um ritmo de dois pontos porcentuais por ano, teoricamente há mais espaço para o crescimento econômico, na avaliação dos analistas. Isso porque o governo não precisará se preocupar tanto com os aumentos no consumo, que elevam a inflação.
O conservadorismo, entretanto, tem uma explicação: uma estimativa mais otimista como parâmetro para a elaboração do Orçamento poderia acabar comprometendo o ajuste fiscal. Com uma estimativa elevada para o PIB, as receitas acabariam superestimadas e, da mesma forma, o volume de despesas previstas ficaria acima da realidade.
Segundo uma fonte da equipe econômica, o porcentual de 4,5% ainda pode ser alterado até o envio do Orçamento para o Congresso, cujo prazo se encerra no dia 31 de agosto. Os técnicos ainda estão trabalhando nos indicadores mais recentes de crescimento do PIB, para ajustar as estimativas de arrecadação e de dispêndios para o ano que vem.
No Orçamento de 2000, elaborado em julho de 1999, a equipe econômica havia previsto que a inflação ficaria em 6,07%, mas o porcentual acabou sendo mais elevado, o que obrigou o Congresso a reestimar as receitas da arrecadação de impostos. Quando o Ministério do Planejamento refez os cálculos dos parlamentares, concluiu que a alteração na inflação elevaria em R$ 5,1 bilhões a arrecadação do Imposto de Renda, em R$ 2,4 bilhões a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e R$ 3,3 bilhões na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Embora as estimativas do Ministério do Planejamento sejam conservadoras, há avaliações mais otimistas dentro do próprio governo sobre o desempenho na economia em 2001. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que em 2001 o PIB será ‘‘superior a 4%’’, enquanto o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, garante que o País reúne condições econômicas para crescer até 6,5% no ano que vem.
O mercado financeiro, de acordo com uma pesquisa feita pelo Banco Central, está bem menos otimista. A projeção feita para o crescimento do PIB em 2001 é de 4%. Enquanto o governo fala em uma elevação de 4% do PIB esse ano, o mercado acredita que a média não será superior a 3,40%.

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