O governo espera reter nas mãos dos produtores até 7 milhões das 34 milhões de sacas de café que deverão ser colhidas este ano (safra 98/99), afirmou o diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição. Se confirmada a estimativa de produção, esta deve ser a maior safra de café do País nos últimos dez anos, e o governo tentará evitar que os produtores vendam logo seu café para impedir uma queda abrupta nos preços. O BB, informou Conceição, está começando a liberar recursos para o custeio da próxima safra, e os agricultores não precisam vender o produto colhido para comprar adubo, pois tudo o que foi financiado poderá ser transformado em novo crédito.
‘‘Quem financiou o custeio no ano passado ou a colheita não precisa pagar agora e, com isso, o setor acaba entrando numa tranquilidade’’, avaliou o diretor. Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou medidas que permitem transformar o saldo de dívidas anteriores em novas operações para dar mais condições ao produtor de reter o café, evitando que ele venda o produto rapidamente para ter recursos para a nova safra.
O diretor destacou que a expectativa de retenção de 7 milhões de sacas é baseada na norma aprovada no voto pelo qual o BB deverá financiar 70% do preço-meta do café, estabelecido em R$ 150 por saca. ‘‘Como hoje o preço está ao redor de R$ 140 por saca, o financiamento seria de quase R$ 100 por saca, para um montante global de recursos de R$ 700 milhões aproximadamente’’, explicou.
Conceição ressaltou ainda que os financiamentos de colheita do café continuam abertos, já com as novas taxas de 9,5% ao ano, também aprovadas na semana passada pelo CMN.

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