Governo pressiona votação de ajuste
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sexta-feira, 27 de julho de 2001
Agência EstadoDe Buenos Aires 
A demora do Senado em debater e votar o pacote de ajuste fiscal do governo do presidente Fernando de la Rúa e o perigo que isso implicaria para a recuperação financeira do país tomaram a cena na Argentina ontem. O debate e a votação, que teriam que ter ocorrido na quarta-feira passada, foram adiados para a terça-feira que vem, para desespero do governo, que viu a taxa de risco do país ultrapassar os 1.600 pontos.
O ajuste do governo implicará na redução em 13% dos salários dos funcionários públicos e as aposentadorias acima de US$ 500, além da criação e ampliação de alguns impostos para empresas de serviços e operações financeiras. Com este ajuste o governo pretende conseguir déficit fiscal 0%, e assim, recuperar a abalada imagem da Argentina entre os mercados.
Durante a complicada jornada de ontem, o governo De la Rúa recebeu mais um problema, quando o juiz Roberto Pompa a pedido da Associação de Trabalhadores do Estado deu um parecer no qual suspende o decreto presidencial que estabelece o ajuste para os salários dos funcionários públicos. No entanto, este parecer ficaria sem efeitos caso o Senado aprove o ajuste. Além disso, o decreto presidencial possui uma polêmica cláusula que impede qualquer ação judicial contra o corte dos salários.
Ontem, o governo De la Rúa atarefou-se em tentar convencer os senadores a votar o ajuste ainda neste fim de semana. No entanto, tanto nas fileiras do próprio governo, a União Cívica Radical (UCR), como na oposição, basicamente o Partido Justicialista (mais conhecido como Peronista), existiam resistências ao ajuste.
Dentro da UCR, o presidente do partido, o ex-presidente da República, Raúl Alfonsín, colocava mais uma vez pedras no caminho do presidente De la Rúa ao afirmar que o piso do ajuste teria que ficar em US$ 1.000, tanto para os salários dos funcionários públicos como as aposentadorias. À tarde, o velho caudilho da UCR reuniu-se com De la Rúa na Casa Rosada, sede do governo, e saiu dali sem mudar de idéia sobre o piso, mas afirmando que faria o possível para que a lei fosse aprovada neste fim de semana. No lado peronista do front político, estudava-se a possibilidade de excluir as aposentadorias de qualquer ajuste. Os peronistas controlam amplamente o Senado, e sem eles é impossível sequer conseguir quórum.
Pela manhã, o país foi sacudido pelas declarações do secretário de Programação Econômica, Julio Dreizzen, que afirmou que alguns dos bancos mais representativos já condicionaram sua participação na projetada megatroca de Letras do Tesouro à aprovação do pacote fiscal no Senado. Fontes do setor bancário se encarregaram de minimizar as declarações de Dreizzen, afirmando que os bancos fornecerão os fundos mesmo sem a aprovação do ajuste.


