Governo prepara restrições ao consumo
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de março de 1997
Agência Estado de Brasília 
O governo poderá voltar a adotar medidas de contenção de consumo para desacelerar a economia e evitar o aumento dos déficits da balança comercial. Mas está determinado a fazer isso sem provocar qualquer alta nos juros básicos da economia.
Ainda não há uma decisão final sobre as medidas de restrições ao consumo, informam assessores, mas a idéia é forçar a diminuição na compra de produtos importados e obrigar as empresas nacionais a exportar mais para compensar a redução de vendas no mercado interno. Nos dois primeiros meses do ano o déficit da balança comercial foi de cerca de US$ 2 bilhões.
Nas próximas semanas, o governo terá condições de avaliar a intensidade do freio à economia. O início da safra agrícola vai aumentar as exportações e dar uma noção melhor do tamanho do déficit de balança comercial no ano. O governo não pode esperar muito, pois a desaceleração deverá durar apenas até o final do ano. Segundo as análises do mercado, em 1998, ano eleitoral, dificilmente o governo manterá este tipo de política impopular.
Com a opção pelo uso de medidas restritivas e não pelo aumento da taxa de juros, o governo consegue evitar pagar mais caro por sua dívida, ao mesmo tempo em que impõe mais dificuldades ao consumidor que quiser financiamento. Entre os instrumentos à disposição da equipe econômica estão a limitação de prazo máximo de financiamento bancário, as restrições aos cartões de crédito e o aumento dos chamados depósitos compulsórios, que elevam os juros pagos por quem toma empréstimo na rede bancária.


