Governo prepara ''pacote etanol'' para evitar oscilação do preço
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
Célia Froufe e Renata Veríssimo <br> <br> Agência Estado 
Brasília - Passado o momento mais crítico do abastecimento, o governo prepara o ''pacote etanol'', com medidas para evitar que o vaivém extremo dos preços do álcool se repita nos próximos anos como aconteceu recentemente com a oscilação da oferta na safra e entressafra da cana-de-açúcar. Além de medidas específicas de crédito para os produtores, que serão detalhadas em alguns dias com destaque para o armazenamento, também estão sob análise a redução efetiva de anidro na gasolina e a diminuição da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o derivado do petróleo.
A intenção é garantir o aumento da oferta ao mesmo tempo em que se busca melhorar a remuneração ao produtor e evitar que os preços cheguem a patamares estratosféricos na entressafra. Isso afastaria também o risco de que a escalada dos preços de um produto tão fundamental para a economia acabe sendo um peso a mais para a inflação.
Com os objetivos tão abrangentes e até em direções opostas, o governo encontra dificuldade para equacionar o problema. Para desatar esse nó, estão previstas no Plano Safra linhas de crédito para a renovação dos canaviais, pois há a análise de que estão acima do tempo médio de aproveitamento.
Além de medidas pontuais, o governo busca equilibrar o consumo de gasolina e de álcool. Uma tarefa seria reduzir a demanda pelo etanol quando há oferta. Isso ajudaria a segurar os preços e obrigaria os produtores a armazenar o combustível para que vendam em um momento mais adequado. Como agora o álcool já começa a ser mais vantajoso do que a gasolina em alguns estados brasileiros, uma ideia seria retirar a Cide que incide sobre o derivado do petróleo, tornando o combustível mais competitivo.
No momento em que o preço do etanol disparar será a hora de diminuir, de fato, a quantidade da mistura. Há um mês, a presidente Dilma Rousseff reduziu a banda mínima de álcool anidro na gasolina de 20% para 18% - a máxima manteve-se em 25%. A intenção era frear o uso do produto para que o mercado não ficasse desabastecido. Na prática, porém, não houve diminuição da mistura.
As medidas do governo têm como horizonte os próximos dois ou três anos com a expectativa de início de amadurecimento dos investimentos já feitos até agora para que a própria indústria consiga armazenar etanol e manter a oferta mais uniforme.


