Governo prepara certificação da soja
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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - O Brasil vai controlar com mais rigor a produção de soja com objetivo de garantir espaço nos centros importadores adeptos à soja convencional. O receio de perder terreno por causa de entraves contra a soja transgênica levou o País a desenvolver uma certificação de produtos convencionais, prevista para ser implantada com urgência.
O governo brasileiro já elaborou uma minuta que será transformada em instrução normativa, que regulamentará o trabalho de empresas certificadoras de soja livre de organismos modificados geneticamente, informou Paulo Borges, assessor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal (DDIV), do Ministério da Agricultura, no Congresso Brasileiro de Soja, em Foz. O evento terminou ontem.
A proposta é garantir qualidade exigida pela União Européia e China, principais importadores do grão brasileiro. Esses centros, junto com o Japão, absorvem 90% das exportações brasileiras do complexo de soja. Das 12 milhões de toneladas do grão exportados na última safra, por exemplo, 6 milhões foram para os europeus e 3,5 milhões para os chineses.
Esse números podem cair caso o país não se adapte às novas regras da China, previstas para entrarem em vigor 20 de dezembro deste ano, quando ela passa a importar somente de países sem transgênicos ou centros assumidos como produtores de soja modificada geneticamente e que utilizem o transgênico para consumo interno.
Outro entrave está ligado à União Européia, que deve exigir a rotulagem e rastreabilidade da soja convencional para ração de animais. Hoje, a condição está restrita aos alimentos destinados ao consumo humano. A prática não tem data definida para entrar em vigor.
Durante a palestra, Borges criticou agricultores com plantações de soja transgência, feitas com sementes contrabandeadas, principalmente da Argentina, onde o cultivo é liberado. Segundo ele, além de serem multados, esses produtores colocam em risco a lavoura nacional, pois podem espalhar doenças na cultura.
O Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal quer ainda aumentar o número de fiscais em território nacional e elaborar um manual de procedimento de fiscalização.


