Governo poderá exigir investimento em geração
O governo do Estado estuda a possibilidade de incluir no edital de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) cláusulas que obriguem a empresa compradora a investir na geração de energia. A hipótese ainda divide opiniões dentro do próprio governo. O secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, sinalizou ontem com essa alternativa, mas admitiu em seguida que é necessário estudar o assunto com cautela. Seria a oportunidade de inovarmos um pouco e exigirmos investimentos em geração, afirmou. A Copel seria a primeira estatal a ser privatizada que faria tal imposição.
O secretário reconhece ter dúvidas se seria um bom caminho obrigar as empresas a construir usinas ou garantir emprego, por exemplo. Essa estratégia poderia representar, segundo ele, abrir mão de um ágio maior na hora da venda da Copel. A afirmação foi feita pelo secretário do Planejamento, Miguel Salomão. Acho que é muita filantropia do Paraná exigir investimento em geração para jogar a energia no sistema que é nacional. O governo federal poderá fazer isso quando for vender as geradoras Eletrobrás e Furnas, afirmou.
Salomão e Ingo Hubert estiveram reunidos ontem em um encontro com a imprensa para apresentar as razões que levam o governo do Estado a iniciar um processo para se desfazer do controle acionário da Copel. Os dois avaliam que é necessário investir em geração, pois o País vive à beira de um colapso energético. Se o setor não estivesse em parte privatizado certamente já estaríamos no escuro, disse Hubert, ao defender a desestatização.
Os críticos à privatização do setor elétrico nacional questionam o fato de os governos federal e estaduais não terem obrigado os investidores a aplicar recursos na construção de usinas hidrelétricas e térmicas. Desde 1993, o setor está aberto para elas, mas pouco foi feito. O consumo cresceu o dobro em relação à geração. Nenhuma empresa que foi privatizada exigiu investimentos na construção das usinas. Fazer usinas é um investimento pesado que é amortizado ao longo de 20 ou 30 anos. (C.M.)





