Para repassar toda a alta do preço do petróleo e da cotação do dólar para o preço da gasolina, o governo teria que reajustar o combustível nas refinarias em até 10,4% na próxima quarta-feira. O aumento seria de 8,32% para o consumidor. A tendência do governo, porém, é autorizar um reajuste menor. A principal preocupação da área econômica é com o impacto que o reajuste terá na inflação deste ano. Com o repasse total, o IPCA aumentaria 0,3 ponto percentual. O IPCA acumulado este ano está em 2,42% e a meta de inflação é de 4%, com margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Aplicando o reajuste máximo permitido pela fórmula atual, o governo poderia ainda reajustar em 8,2% o óleo diesel e em 4,3% o gás de cozinha. Nesse caso, o impacto para o consumidor seria de 6,6% no caso do diesel e de 2,6% no caso do gás. O governo precisa decidir entre o impacto na inflação e o saldo da conta-petróleo (dívida do governo com a Petrobras).
A tendência no ano que vem é que o preço da gasolina e dos demais derivados do petróleo esteja liberado. O subsídio ao gás de cozinha, em tese, acabaria no final deste ano. Isso representaria um aumento de 35% nas regiões Sul e Sudeste. O governo, no entanto, deve mandar para o Congresso um projeto de lei propondo a continuidade do subsídio.
ParanáO presidente do Sindicatos dos Revendedores de Combustível do Paraná, Roberto Fregonese, disse ontem acreditar que o aumento da gasolina na bomba não ultrapassará 7% em todo o País. O valor exato só será determinado após as companhias distribuidoras comunicarem os revendedoras dos preços.
‘‘Mas, com certeza, num primeiro momento haverá retração no mercado. Sempre que há aumento, o consumo chega a cair 8% nos primeiros 10 ou 15 dias. Depois volta ao normal, em função da própria necessidade do consumidor’’. Na avaliação do presidente da entidade, o índice de reajuste proposto pelo governo é excessivo. ‘‘Não havia necessidade do governo fazer um reajuste nesses patamares. O pior, é que o governo aumenta o preço e os donos dos postos é que pagam a conta. Ficam como vilões’’.
Alguns donos de postos entrevistados pela Folha consideraram preocupante o aumento. ‘‘Todo aumento para nós é ruim. Primeiro porque há uma queda no consumo, inicialmente. E segundo porque precisamos desembolsar um valor alto de dinheiro no momento de reabastecer nossos tanques, com capacidade para mais de 100 litros’’, diz Reinaldo Martins Siqueira, do Posto Ferrari (Shell).
Mesmo antes do aumento fixado pelo governo entrar em vigor, os postos de Londrina estão aumentando os preços da gasolina. Em um posto monitorado pela Folha diariamente nesta semana, a alta é diária. Ontem o litro da gasolina era vendido a R$ 1,63 (como mostra a foto). Na terça-feira, o preço era R$ 1,58. Na terça-feira, o litro era vendido a R$ 1,58; na quarta, R$ 1,59 e, na quinta, R$ 1,61. A prática se repete na maioria dos postos da cidade. (Benê Bianchi)

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