O uso racional da água para consumo humano, apesar de não ser relacionado pelo governo à crise de energia, poderá ser recomendado pela Comissão de Análise do Sistema Hidrotérmico de Energia Elétrica. A comissão, coordenada pelo presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Jerson Kelman, apresentará no fim deste mês ao núcleo executivo da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) um estudo sobre a política de produção energética e as causas estruturais e conjunturais da crise.
O presidente da GCE, ministro Pedro Parente, disse à Agência Estado que a água, a exemplo da eletricidade, deve ser usada com cuidado, eficiência e inteligência. Segundo ele, esse é um comportamento que deve ser adotado em todo o mundo. ‘‘Mas não é pela questão energética que nós vamos chegar à necessidade de reduzir a água para consumo’’, ressaltou Parente. O ministro explicou que, mesmo quando o nível de um reservatório chega a zero e impede o funcionamento das turbinas da hidrelétrica, ainda há um volume ‘‘morto’’ de bilhões de metros cúbicos. ‘‘Esse volume morto é mais do que o suficiente para atender a demanda de consumo’’, explicou. ‘‘A quantidade de água que você precisa para rodar uma turbina é muito maior do que o volume de água que você precisa para consumir’’, completou.
O racionamento de água poderá ser necessário em regiões críticas, como as abastecidas pelo Rio São Francisco, que vem apresentando os piores níveis de água dos últimos 70 anos, informou o ministro Pedro Parente. ‘‘O cenário atual está mostrando que há um problema de natureza estrutural do uso do São Francisco que precisa ser avaliado’’, disse o ministro. Ele não afastou a possibilidade de colocar em prática o projeto de transposição de parte das águas do São Francisco.
‘‘Tudo depende da quantidade e se isso não vai atrapalhar a geração de energia e o consumo daquelas populações da beira do rio’’, afirmou.

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