Governo pode desistir de conceder bônus
O pagamento de bônus aos consumidores que economizarem energia elétrica além da cota fixada pelo governo enfrenta resistências na equipe econômica. Os técnicos que estão discutindo o plano de racionamento argumentam que o bônus acabará tendo um valor apenas simbólico, uma vez que o governo tem limitações orçamentárias sérias para ressarcir os consumidores num porcentual alto o suficiente para funcionar como um estímulo concreto à economia de energia.
A questão ainda não está posta como decidida e é preciso ver se esse bônus é realmente indispensável, explicou uma fonte da equipe econômica. A posição dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, entretanto, poderá acabar sendo voto vencido caso prevaleçam argumentos políticos. A avaliação de uma outra ala de assessores do presidente Fernando Henrique Cardoso considera que a queda na popularidade do governo causada pelo racionamento de energia pode ser parcialmente reduzida com o pagamento do bônus.
As fontes de recursos que vão financiar o pagamento do bônus ainda não foram definidas. O presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, sugeriu na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que fossem utilizados R$ 1 bilhão do programa de eletrificação rural Luz no Campo. Os recursos para esse programa vêm da reserva global de reversão (RGR), um fundo com contribuições das empresas do setor para amortizar investimentos durante o período de concessão.





