Agência Estado
O governo deverá ampliar o limite de financiamento do crédito rural para algumas culturas como milho e soja, com o objetivo de incrementar a produçãona safra 1999/2000. Pela proposta em estudo na área técnica do governo, o limite de financiamento de custeio da safra de milho aumentará de R$ 150 mil para R$ 200 mil. Já os empréstimos para a soja serão ampliados de R$ 40 mil para R$ 100 mil no sul do Maranhão, Bahia e Tocantins - a exemplo do que ocorreu na safra passada para as Regiões Centro-Oeste e Norte - e de R$ 40 mil para R$ 60 mil no restante do País. Os outros limites de R$ 300 mil para o algodão, R$ 150 mil para arroz, mandioca, feijão, sorgo ou trigo e de R$ 40 mil para qualquer outra atividade agrícola ou pecuária deverão ser mantidos.
O Plano Agrícola 1999/2000 deverá ser anunciado pelo presidente Fernando Henrique até o final do mês. As mudanças terão de ser aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja reunião será 30 de junho. Os principais pontos do Plano Agrícola são a definição do volume de recursos para o crédito rural e das taxas de juros que serão cobradas dos agricultores nos financiamentos. Já está definido que os recursos com juros favorecidos deverão totalizar R$ 7,7 bilhões, dos quais R$ 4,2 bilhões provenientes da equalização do Tesouro Nacional - que cobre a diferença entre a taxa de mercado e a dos empréstimos - e outros R$ 3,5 bilhões das exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada no crédito rural.
Para chegar ao total o governo ainda inclui os recursos do Funcafé, dos empréstimos captados no exterior através da 63 caipira e também da linha de crédito destinada aos pequenos agricultores que deverá somar cerca de R$ 3 bi. Levantamento técnico do Ministério da Agricultura apontou a necessidade de R$ 15,5 bi para o financiamento da safra agrícola 99/00 e sugeriu alternativas de fontes para se chegar a este total.
O trabalho foi entregue ao presidente FHC pelo ministro Francisco Turra. Na área técnica do governo, no entanto, há pouca expectativa de que os recursos de R$ 11 bi anunciados na safra passada sejam ampliados. Uma das sugestões do Ministério da Agricultura é ampliar o limite das exigibilidades bancárias, hoje em 25%. ‘‘A possibilidade de aumento das exigibilidades é muito remota, pois é preciso reduzir o compulsório, o que implica diretamente na expansão da base monetária’’, avaliou uma fonte da área econômica.
Os técnicos do governo acreditam na manutenção das taxas em 8,75% ao ano para grandes e médios produtos e de 5,75% para os pequenos agricultores. ‘‘Mas a exemplo do ano passado, o presidente Fernando Henrique pode agradar ao setor, à última hora com uma pequena redução dos índices’’, avaliou uma fonte. No anúncio do plano de safra 1998/99, o presidente decidiu conceder uma redução de 0,25% nas taxas de juros para pequenos e grandes produtores rurais.

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