Brasília - O governo partiu ontem para uma nova estratégia, com o objetivo de acabar com o impasse em relação à venda de soja para a China. Um dia depois de Pequim ter barrado a entrada em seu território de mais duas cargas de soja brasileira, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, fez um pedido formal ao governo chinês para que reavalie os critérios de classificação para importação do produto. Depois, em conversa por telefone com o embaixador chinês, Jiang Yuande, o ministro também pediu que sejam avaliadas as regras mais rígidas de condições higiênico-sanitárias da soja que será exportada e também comercializada no mercado interno.
A China é o maior cliente da soja brasileira, consumindo 20% do total exportado, que no ano passado somou 20 milhões de tonelada. Ontem, o governo publicou as novas normas para a comercialização de soja no exterior e no mercado interno. As regras, que estavam sendo estudadas havia quase duas semanas, são consideradas rígidas e fixam uma tolerância máxima na análise visual de até uma semente tratada por fungicida por quilo do grão. Quando a soja for destinada ao consumo direto humano ou animal, sem passar pelo processamento industrial, a tolerância para presença de agroquímicos será zero.
O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Maçao Tadano, lembrou que essa é uma regra mais rígida que a existente hoje nos Estados Unidos, que permite uma proporção de até três sementes por quilo de grãos. ''Isso muda a responsabilidade de toda a cadeia produtiva de soja, dos exportadores e das cooperativas em relação à segurança alimentar não só externamente, mas também internamente'', afirmou Tadano.
Os exportadores ou donos de carregamentos que não se adequarem às normas estarão sujeitos a pagamento de multa de até R$ 500 mil, suspensão da comercialização e apreensão da mercadoria. Estimativas da iniciativa privada apontam que o embargo da China e a queda dos preços da soja no mercado internacional já resultaram em prejuízo de US$ 1 bilhão para o País.
Segundo Tadano, o governo espera que a manifestação da China ocorra o mais rápido possível. ''O fato de as normas já terem sido publicadas e estarem em vigor não significa que os países importadores já as aceitaram, pois é o comprador que avalia o que quer comprar'', disse o secretário. ''No entanto, entendemos que essa norma é bem mais exigente do que as praticadas em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo.''
O secretário evitou comentar a recusa de duas novas cargas de soja brasileira pela China, argumentando que, até a tarde, o governo não tinha um comunicado oficial da China. ''Pedimos ao Itamaraty que busque em Pequim essa confirmação já que o que temos até agora são boatos de que isso teria acontecido'', afirmou.
Tadano informou que também está em discussão com a China a possibilidade de inspetores daquele país fiscalizarem no Brasil, antes do embarque, a qualidade da soja exportada. Para o secretário, essa alternativa é mais conveniente e proveitosa do que enviar para a China técnicos e inspetores brasileiros. ''Isso já ocorre em relação às nossas exportações de carne para a Rússia e frutas para Argentina'', afirmou.

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