Governo nega repasse na bomba
O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, afirmou ontem que não há, no momento, dentro do governo qualquer intenção de reajustar os preços dos combustíveis no mercado interno. O preço do barril do petróleo tipo brent no mercado internacional atingiu ontem seu nível mais alto desde a Guerra do Golfo, chegando a ser cotado a US$ 35. Essa alta é conjuntural, disse. Não podemos tomar esse pico de preços como referência, ressaltou o ministro ao deixar o palanque do qual assistiu ao desfile do dia 7 de Setembro.
De acordo com um técnico do governo, os efeitos da nova alta do preço do barril de petróleo no mercado internacional registrada nos últimos dias só serão captados na conta-petróleo diferença entre o preço no mercado internacional e interno no fim deste mês. Novas previsões não podem ser feitas com a cotação desses dias e tem de ser visto o preço do petróleo no mercado futuro, comentou o técnico. Isso porque a Petrobras compra o produto uma vez a cada mês. Mesmo sem querer admitir que a elevação do preço do petróleo preocupa, os integrantes do governo brasileiro estão torcendo para que na próxima reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), marcada para esse domingo, em Viena, seja definido aumento da produção do petróleo em capacidade suficiente para estabilizar os preços do produto.
Parente lembrou que o petróleo não é mais considerado um problema cambial, pois o Brasil já produz aproximadamente 65% do total consumido no País, o que limita a menos de 40% de importações do produto. No entanto, ele acha que a questão passou a ser vista como um problema fiscal, pois existe a possibilidade de haver impactos inflacionários, caso o governo decida repassar para os consumidores a elevação de preços ocorrida no mercado internacional.
Parente frisou que a frustração na arrecadação do saldo da Parcela de Preço Específica (PPE) a conta-petróleo poderá ser coberta com o superávit da Petrobras, calculado em R$ 7 bilhões neste ano. Isso porque a remuneração dos produtos da estatal aumenta à medida que a cotação do petróleo sobe no exterior.
Em julho deste ano, por conta do reajuste de 15% do preço da gasolina nas refinarias, a expectativa do governo era que a PPE arrecadasse R$ 800 milhões até dezembro. Isso seria possível se o barril do petróleo custasse, na média anual, US$ 27, e o dólar continuasse cotado a R$ 1,80. Até agora essa conta amargou déficit de US$ 545 milhões.





