Governo não vai taxar exportações de grãos
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Mariangela Heredia Agência Estado 
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, garantiu ontem a representantes do setor agrícola que o governo não pretende, no momento, taxar as exportações de soja e café. O secretário afirmou, no encontro, que qualquer decisão nesse sentido terá caráter político e será antes discutida com o setor e a bancada ruralista no Congresso. Ele garantiu que não está nas cogitações do governo a taxação sobre exportações de commodities, disse o presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo.
No entanto, ele próprio não se sentiu seguro de que o risco da cobrança do Imposto sobre Exportação está descartado. O secretário foi claro em dizer que fez simulações sobre quanto seria arrecadado, se houvesse a taxação, revelou o presidente da CNA.
Um dos números citados por Considera, na reunião, foi uma arrecadação adicional de R$ 100 milhões, a ser recolhida somente taxando as exportações de soja. Essa receita seria obtida com uma alíquota em torno de 3,5% - a mesma cobrada pela Argentina sobre suas exportações de soja em grão.
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), da bancada ruralista, disse que qualquer decisão do governo será antes discutida com os parlamentares. Na semana passada, o coordenador de negociação da bancada da agricultura, Abelardo Lupion (PFL-PR) ameaçou mobilizar os 200 parlamentares da bancada a votar contra o governo, caso as exportações passassem a ser taxadas.
Devido à desvalorização cambial, a soja brasileira ganhou competitividade no mercado internacional, e a estimativa do governo é de que a parcela exportada da produção nacional passe de 28% para 35%.
Inflação Salvo acredita que o governo está pensando na
taxação sobre as exportações como uma forma de evitar a inflação e o desabastecimento. Segundo relatou, Considera disse na reunião que o governo está acompanhando a evolução dos preços das commodities. No entanto, segundo o presidente da CNA, não há risco de desabastecimento de farelo de soja e da soja em grão, os dois produtos mais cotados para sofrerem a taxação.
Má notícia Má notícia para os produtores de soja do Brasil. Os produtores dos EUA, que vêm obtendo safras recordes e ganhando espaço no mercado mundial, vão ampliar ainda mais o plantio neste ano. Previsões do US Grains Council, um conselho que se reúne todos os anos para avaliar a produção mundial de grãos, diz que a área plantada neste ano nos EUA deve subir para 74,2 milhões de acres. Se confirmada essa área, a safra norte-americana poderá subir para o recorde de 79,5 milhões de toneladas. Já o plantio de milho cairá para 79,1 milhões de acres, ou seja, 242 milhões de toneladas.


