CIDADE DO CABO e BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou de lado toda a dose de cautela com que costuma abordar os temas mais delicados do Plano Real para afirmar, enfaticamente, que ‘‘o governo não mexe no câmbio’’. Como é seu hábito nas viagens ao exterior, o presidente falou com franqueza aos jornalistas que o aguardavam à saída do Parlamento Sulafricano e deixou claro que considera a política cambial de interesse da maioria da sociedade.
‘‘O povo é que será prejudicado porque o repasse da desvalorização para os preços aumentaria a inflação’’, reagiu, quando foi perguntado sobre a possibilidade de o real ser desvalorizado para estimular as exportações.
Todos as indicações fornecidas pelo presidente na parte da entrevista dedicada a temas econômicos reforçaram os parâmetros atuais do Plano Real. ‘‘Não há motivo para alterar a política do governo’’, fez eco, em Brasília, o presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. A redução dos níveis da Taxa Básica (TBC) e da Taxa de Assistência do BC (TBAN), para dezembro, foi mencionada por Loyola como ‘‘um sinal claro’’ de continuidade do processo de queda dos juros.
A equipe econômica ainda contou com o endosso do presidente à estratégia de gradualismo na redução dessas taxas. FHC reiterou o discurso com que marcou o início de seu mandato, de que somente a aprovação das reformas, na Previdenciária e administração, pode contribuir para a queda mais rápida dos juros, ao lado da redução do custo Brasil.
Os mesmos argumentos foram usados pelo presidente para apontar o caminho que considera adequado para aumentar a competitividade das exportações brasileiras. ‘‘Não se deve resolver uma questão, que é estrutural, com medidas de acomodação que vão servir a pequenos interesses’’, afirmou.

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