Sérgio Bueno
Agência Estado
O governo federal não vai impedir o bloqueio da ponte internacional entre Uruguaiana (RS) e Paso de Los Libres, na Argentina, programado pelos arrozeiros gaúchos para o próximo dia 10, disse ontem o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Ele ressalvou, entretanto, esperar que o ‘‘bom senso’’ prevaleça e que a fronteira não seja fechada. ‘‘Não aprovo medidas extremas, mas os produtores têm o direito de manifestar sua preocupação e seu desencanto’’, disse o ministro. O governo, porém, não permitirá que desabastecimento ou manobras para elevar artificialmente o preço do arroz no mercado interno. Se necessário recorrerá à importações, mesmo que seja de outros países.
O protesto, organizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), pretende impedir a importação de arroz argentino que está provocando a queda acentuada das cotações do produto brasileiro nas últimas semanas. Pratini afirmou que a ‘‘agropecuária brasileira precisa ser defendida’’, mas defendeu uma saída negociada para o problema dos arrozeiros de maneira a não ‘‘arranhar’’ o Mercosul nem desencadear uma ‘‘guerra de restrições’’ com a Argentina.
Mesmo assim, ele voltou a informar que discutirá com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a possibilidade de adoção de cotas para a importação de arroz.
Conab O ministro garantiu ontem a aquisição, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da produção de todos os agricultores que compraram contratos de opção de venda de arroz para o governo. ‘‘Nenhum produtor deixará de exercer a opção’’, garantiu. Isto é válido para todos os Estados e não apenas os arrozeiros gaúchos.
De acordo com o ministro, o produto será entregue preferencialmente no próprio município do agricultor. Nas regiões onde não houver capacidade de estocagem, a Conab utilizará os armazéns mais próximos.

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