Arquivo FolhaConvidado ilustreBill Clinton visita a América do Sul em meados do próximo ano, em campanha pela aprovação do ‘fast track’A visita do presidente Bill Clinton à América do Sul em meados do próximo mês será mais um teste de fogo para a diplomacia brasileira por conta das relações comerciais do País com o ‘‘grande irmão do Norte’’. Embora o Itamaraty considere que a passagem de Clinton não será marcada por pressões para acelerar a montagem da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o corpo diplomático brasileiro tem uma estratégia pronta para suportar possíveis atritos. O governo não pretende ceder um milímetro para antecipar acordos, muito menos que possam vir a enfraquecer as relações comerciais com outros países da região. ‘‘O Mercosul não é um estágio para a Alca’’, avisa o ministro das Relações Exteriores, Francisco Lampreia. Reservadamente, fontes diplomáticas não poupam adjetivos para os parceiros norte-americanos e avisam que o Brasil não pretende engolir desaforos. Ninguém esquece a passagem da xerife do comércio norte-americano, Charlene Barshefsky, pelo Brasil, em maio, quando ela quase colocou o encontro a perder ao recomendar que parte do documento acordado em Belo Horizonte fosse ‘‘deletado’’.
Antes, Barshefsky já havia se referido ao Mercosul como ‘‘aquele mercadinho deles’’. Apesar disso, acredita-se no Itamaraty que o presidente americano não irá se expôr em demasia com manifestações pela Alca, tendo em vista o pouco espaço de manobra que detém no Congresso americano.
‘‘Ele (Clinton) vem para cá em um momento delicado, internamente, sem ter conseguido avançar mesmo entre os líderes democratas para a aprovação do ‘‘fast track’’, analisa um diplomata brasileiro. O ‘‘fast track’’ é a lei que autoriza o governo americano a negociar acordos comerciais com outros países sem o risco de mudanças futuras efetuados pelo Congresso. Embora a campanha tenha sido lançada, o projeto de lei sequer foi encaminhado.

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