Governo não sabe que garantias vai oferecer ao trigo
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Reportagem Local 
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, participou ontem, em Londrina, de reunião com representantes da cadeia produtiva do trigo, incluíndo cooperativas, sindicatos rurais, produtores, Embrapa e Iapar para debater sobre novas práticas para produção e comercialização de trigo.
Pratini afirmou que há grande interesse em aumentar a produção brasileira de trigo. O ideal é que estejamos produzindo 50% da nossa demanda em três safras, afirmou. Atualmente a demanda nacional é de 10 milhões de toneladas, sendo que a dependência do trigo importado, principalmente da Argentina e Estados Unidos, chega a 70% da necessidade interna.
O ministro não confirmou o valor mínimo de R$ 296,00/tonelada pleiteado pelos produtores, e há rumores no setor de que este valor fique em torno de R$ 285,00. Na próxima quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) vai anunciar o novo plano econômico para o produto, com definições sobre Contratos de Opção e Prêmio de Escoamento de Produto (PEP).
Essas medidas serão apresentadas no mesmo dia, em Curitiba, pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, que já adiantou que a proposta orçamentária garante Contrato de Opção para 1,2 milhão de toneladas de trigo, mas os números sofrerão ajustes em função do aumento da área e da produção.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, disse que além do preço mínimo, o produtor precisa ter garantia de que o valor do prêmio do seguro vai ser subsidiado pelo governo. Essa é a nossa maior reivindicação, pois a situação atual está muito difícil. Por um lado a Cosesp, que está cobrando taxa de 13% para o seguro de trigo, por outro o Proagro, que quase sempre passa por atrasos e depende de liberações orçamentárias, comentou.
O representante da Faep também acrescentou que o ministro teria apontado a intenção de elaborar em breve um projeto de lei sobre o subsídio do seguro, mas, segundo Meneguette, seria necessário que ele baixasse uma medida provisória para que isso já fosse possível nesta safra. Não há como ampliar a área de produção sem essa segurança, destacou.
O Ministério da Agricultura também está trabalhando com a possibilidade da expansão da área plantada em áreas que tradicionalmente não são utilizadas para o plantio de trigo, mas sem prejudicar as lavouras do milho-safrinha. Nas regiões que abrangem o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Sudoeste de Goiás, Oeste da Bahia e Noroeste de São Paulo há uma disponibilidade total de 4 milhões de hectares. Se fossem utilizados apenas 2 milhões de hectares, as áreas não tradicionais podem atingir uma colheita de 3,3 milhões toneladas.
Como estímulo de plantio nessas regiões, o governo está fixando um preço de garantia entre R$ 10,00 e R$ 15,00 a mais por tonelada, em relação ao preço mínimo estabelecido para as regiões tradicionais.


