O Palácio do Planalto afirma, oficialmente, que não está prevista uma revisão das propostas feitas na noite de quarta-feira aos caminhoneiros. Ontem, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, cancelou uma entrevista coletiva que havia convocado para tratar do assunto. A assessoria da Secretaria-Geral afirmou que "a expectativa é de que o movimento de caminhoneiros se dissipe".
Relatos de palacianos, contudo, dão conta de que o Planalto está perdido e tenta apostar no final da paralisação, com base nas conversas mantidas na mesa de negociações nas reuniões da noite de quarta-feira. Só que, apesar das promessas, as lideranças que se sentaram à mesa com o governo não obtiveram apoio de seus liderados e mantiveram pontos de interrupção de rodovias ou se transferiram para outros pontos para não serem penalizados por descumprir ordem judicial.
O Planalto está se vendo em dificuldades porque não tem como interferir no que está efetivamente emperrando as negociações: o valor do preço do frete, pois seria uma interferência no mercado. "Não vamos regular mercado. Há uma regulação livre deste mercado pelo setor privado", disse um assessor palaciano.
O que o governo gostaria que fosse estabelecido é uma espécie de "preço referência de frete", para que se chegasse a um consenso, mas não se conseguiu obter nenhum sinal neste sentido dos responsáveis por definir este preço. Há uma nova reunião marcada para o dia 10 de março, mas o governo não pode esperar este tempo porque, até lá, com a permanência da paralisação das estradas em vários pontos no País, o caos estará instalado.
No Planalto há uma perplexidade em relação ao problema porque o governo está se sentindo de pés e mãos atados, já que as lideranças do movimento são muito difusas e a maior parte das iniciativas, até agora, tem sido em vão. Mais uma vez, todos os esforços do governo para tentar reverter a pauta negativa que toma conta da Esplanada dos Ministérios foram perdidos.

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