Governo não precisará tirar coelho de cartola, diz Fraga
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, procurou fazer eco, ontem, ao tom tranquilizador do ministro Pedro Malan (Fazenda), ao analisar a turbulência do mercado. Fraga afirmou que o governo tem instrumentos para conter a crise e não precisará tirar nenhum coelho da cartola. Entre esses instrumentos estão corte na taxa básica de juro da economia, a Selic, a recompra de títulos da dívida externa, e o encurtamento da dívida interna.
Quando atuamos no juro [na última reunião do Copom, nesta semana], olhávamos a inflação caindo e uma turbulência que poderia afetá-la. Mas enxergávamos a possibilidade de uma redução da taxa, antes da próxima reunião do Copom, disse Fraga justificando o viés (tendência) de baixa adotado.
Segundo ele, o governo deverá recomprar até US$ 3 bilhões em títulos da dívida externa e passará a divulgar o montante dessa recompra mensalmente. Fraga afirmou que há espaço para encurtar mais a dívida interna. Após os leilões de troca de títulos das últimas semanas o prazo médio de vencimento da dívida caiu de 35,3 meses para 33 meses.
O Tesouro tem uma situação de caixa tranquila, com algo em torno de R$ 50 bilhões, as reservas internacionais somam cerca de US$ 13,5 bilhões, enquanto temos US$ 2,5 bilhões em amortizações neste ano. Sobram US$ 11,5 bilhões, dos quais US$ 3 bilhões serão usados na recompra de títulos da dívida externa, disse Fraga.
Por isso, Fraga afirmou que o comportamento do mercado nos últimos dois dias, com disparada do câmbio e do risco-país, não corresponde à sua expectativa
Questionado sobre a eficácia das últimas medidas do governo, se elas não seriam meros paliativos para postergar o risco de um calote inevitável, como ocorreu com a Argentina, Fraga foi categórico: de jeito nenhum. E procurou distanciar a situação brasileira da argentina. A argentina vive um problema de fraturas múltiplas: financeira, política e institucional, afirmou. Antes da crise argentina e do 11 de setembro, o PIB [Produto Interno Bruto, a soma das riquezas do país] crescia 4,5% ao ano e a inflação estava em queda, disse.


