Governo não ganha com safra recorde
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Vânia Casado 
Arquivo FolhaNo front externoExportação de soja em grão vai crescer dos tradicionais 17% da produção para 25% este ano no EstadoA comercialização da soja, que este ano rendeu uma safra recorde de 6,7 milhões de toneladas, está injetando na economia paranaense o equivalente a R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,65 bilhão só com as exportações de grão, farelo e óleo. Se este resultado será bom para a economia, não vai gerar nenhum impacto na arrecadação estadual, em decorrência da desoneração do ICMS dos produtos agrícolas, decretado pela Lei Kandir, no ano passado.
A Secretaria da Fazenda está apostando nos negócios indiretos e no efeito multiplicador na economia, a partir da comercialização da soja. Até o esmagamento do grão para produção de óleo e farelo, no complexo agroindustrial de Ponta Grossa, o maior da América Latina, não está gerando ICMS ao Estado, porque está diferido, ou seja, será pago apenas quando o produto for utilizado, ou seja, na etapa seguinte quando o grão virar frango, por exemplo.
As exportações de soja em grão crescem dos tradicionais 17%, para 25% da produção, este ano, gerando mais vantagens ao exportador. Isso porque o grão gerava 13% de ICMS, o farelo, 11,1% e o óleo, 8,%. A expectativa é que vá faltar grão na entressafra, em função da elevação nas vendas para o mercado externo.
Do valor bruto da produção de soja, cerca de 45% deverão circular na região Centro Oeste, que é a maior produtora do grão no Estado, afirmou Otmar Hubner, técnico do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Ele afirma que os índices de produtividade contribuíram para esse bom desempenho. A produtividade média registrada no Estado é de 2.720 quilos por hectare, enquanto na região Oeste ela sobe para 3.000 quilos por hectare, em função da tecnologia aplicada que vem aumentando todo ano.
Francisco Simioni, do Deral, aponta a expansão do plantio direto, a utilização de insumos de última geração e a profissionalização do produtor, que está implantando lavouras empresariais, como fatores que estão impulsionando a soja no Paraná. Também se referiu ao avanço da pesquisa e da assistência técnica, que resultou no na queda do custo de produção.
Segundo Simioni, a produtividade alcançada esse ano repete os índices registradas no ano passado. Mas salienta que houve um aumento de 7,3% na área ocupada, passando de 2,33 milhões de hectares no ano passado para 2,50 milhões de hectares, na safra atual, com a manutenção do mesmo rendimento. Para o técnico, não é fácil promover aumento da área plantada e manter o mesmo nível de tecnologia, o que demonstra a modernização da cultura de soja no Paraná.


