O reajuste dos remédios pode representar um gasto mensal a mais de R$ 500 para o aposentado Raul Veríssimo Jordão. Em tratamento de um câncer e com a mulher sofrendo de infecção urinária, ele calcula deixar cerca de R$ 4 mil por mês na farmácia. Para Jordão, a culpa é do governo. "Infelizmente, é o que a gente tem lá em cima. O governo deita e rola, faz o que quer e não está nem aí com o povo", afirma. Mesmo com a saúde debilitada, ele diz fazer pesquisa antes de comprar. "Vou numa farmácia, vou em outra. Onde acho mais barato, eu compro", afirma o aposentado, que dispensa os genéricos. "Só compro o que o médico pede."
Catarina Muraro já se prepara para o aumento. Ela gasta cerca de R$ 500 por mês com medicações, mas tem a sorte de, por ser aposentada da antiga Telepar, ter o benefício de desembolsar apenas metade do valor. A outra parte é paga pela Oi, que comprou a Brasil Telecom, que, por sua vez, havia arrematado a estatal paranaense na época da privatização das teles. "Achei bonito", ironiza dona Catarina quando questionada sobre o aumento.
Para o orçamento do professor Francisco Roberto Parra, o reajuste deve significar aproximadamente R$ 60 a mais nos gastos com farmácia. "O aumento é muito alto e vai pesar muito no bolso do trabalhador." Tanto ele como a mulher precisam de medicamentos de uso contínuo e a conta mensal da farmácia é de cerca de R$ 500. "Sempre que posso, uso genérico. É bem mais barato", declara.

Proteste
A opção pelos genéricos e similares é uma das principais dicas da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) para a população suportar o reajuste. "Pesquisar antes de comprar também é fundamental. Os preços variam muito de farmácia para farmácia, inclusive entre farmácias da mesma rede. O consumidor deve pechinchar porque há margem de negociação", orienta a coordenadora institucional da entidade, Maria Inês Dolci.
Para quem faz uso de medicação contínua, a dica é saber se o laboratório que produz os remédios tem programa de fidelização. "Se houver, eles costumam dar descontos grandes. Tem de ligar no 0800 e se cadastrar", conta. A Farmácia Popular, programa do governo federal, oferece medicações gratuitas para algumas doenças e descontos de até 90% para outras (ver quadro).
A internet pode ser boa opção para compra de remédios com descontos generosos. Mas também pode ser uma barca furada se o consumidor não tomar os devidos cuidados. "Tem de saber onde se está comprando. Perguntar para a família e os amigos se já compraram naquela farmácia virtual", recomenda. É possível verificar se há reclamações do site nos Procons ou no www.reclameaqui.com.br .
De acordo com a Proteste, o endereço eletrônico da farmácia deve ter final ".com.br" e conter na página principal todas as informações do estabelecimento, como a razão social, endereço, CNPJ, horário de funcionamento, telefone, nome e número de inscrição no Conselho Regional de Farmácia (CRF) do responsável técnico e licença ou alvará sanitário. (N.B.)

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