Governo não deve baixar juro
CENÁRIO INSTÁVEL Governo não deve baixar juro Soraya de Alencar Agência Estado Dúvidas sobre o valor do novo salário mínimo, indecisão sobre o teto salarial nos três poderes, comportamento das taxas americanas e, ainda, a possibilidade de um novo aumento no preço da gasolina impedem uma redução das taxas de juros no Brasil. Esta opinião é dividida por vários analistas de mercado que apostam na manutenção da taxa básica de 19% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no próximo dia 22. Ainda não é dessa vez que eles vão mexer, aposta o ex-presidente do BC, Gustavo Loyola. Rogério Mori, economista do Banco Santos, afirmou que tudo indica que o Banco Central vai manter a postura conservadora, numa referência à posição que o BC vem adotando desde final de setembro quando fixou os juros básicos em 19% ao ano. Não vão fazer nada, acredita Luiz Rabí, do BicBanco. Destoando de todos, Dany Rapapport, do Santander, afirma que há espaço para redução e pode baixar. Rapapport acredita que o Brasil já podia ter juros básicos entre 16% e 17% ao ano sem impacto sobre a inflação. Segundo ele, os juros estão muito elevados e o País está perdendo tempo. Acho que o Banco Central está mirando a inflação até demais, disse. E questiona: para que amarrar tanto a economia? Para Rabí, o principal obstáculo à redução dos juros está na cláusula sobre metas de inflação que o governo insistiu em colocar no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Como as estimativas de inflação constantes do acordo referem-se ao acumulado dos últimos doze meses, a inflação ocorrida no último trimestre do ano passado está sendo carregada. E isso pode levar o Brasil a descumprir a meta deste ano caso a questão não seja revista. Na próxima semana, a missão do Fundo chega ao País para fazer a quinta revisão do acordo. Na última sexta-feira, entretanto, o diretor de Política Econômica do BC, Sérgio Werlang, disse que a revisão só será feita em setembro. Outros fatores que impedem uma redução dos juros em março, segundo Rabí, são o comportamento das taxas de juros nos Estados Unidos, pois o Federal Reserve faz nova reunião no próximo dia 21 e todo mercado espera novo aumento e também o desempenho dos preços do petróleo.





