Brasília - O ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, desautorizou ontem o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, que anteontem havia admitido que está praticamente abandonada a idéia de adotar um regime único de Previdência na reforma do setor , que inclua trabalhadores dos setores público e privado. Dirceu garantiu que o governo não desistiu de adotar, no serviço público, o teto de R$ 1.561,00 que já vale para a iniciativa privada. O ministro da Casa Civil afirmou também que não há decisão sobre a manutenção da alíquota de 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em 2004, uma possibilidade admitida no conselho pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
  ‘‘O governo não abriu mão de nada. Tirar conclusão de que vai manter a CPMF ou não, ou que vamos abandonar a unificação da Previdência, não corresponde ao que foi debatido. É uma conclusão equivocada’’, afirmou Dirceu, após encontro com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Na quinta-feira, Berzoni e Palocci fizeram uma exposição aos 82 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que ficará encarregado de discutir as reformas da Previdência, tributária e trabalhista. Palocci admitiu a manutenção da atual alíquota da CPMF apenas como ‘‘uma possibilidade’’ entre outras.
  ‘‘Acho que é precipitado deduzir das intervenções do ministro Palocci e Berzoini que o governo abriu mão desta ou daquela posição, principalmente de ter um regime único no País’’, alegou o ministro Dirceu.

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