Governo não decidiu se o combustível sobe
Governo não decidiu
se o combustível sobe
Arquivo FolhaSem impacto na bomba, por enquantoA equipe econômica do governo quer esperar uma melhor definição sobre os preços internacionais do petróleo antes de adotar medidas para rebatê-lo. Primeiro, é preciso definir o tamanho do problema, para depois decidir o que fazer, disse ontem o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero. Em outras palavras, assim que tiver clareza sobre a cotação média do petróleo ao longo deste ano, o governo poderá decidir se aumenta os preços dos derivados e arca com as consequências disso sobre a inflação e os juros ou se compensa o custo maior com outros recursos da área fiscal.
No entanto, segundo explicou o secretário-adjunto, o quadro ainda é muito instável. Ele lembrou que em março termina o acordo dos países produtores de petróleo que restringiu a produção em todo o mundo. Foi o estabelecimento de cotas de exportação que puxou o preço do produto para cima. No início do ano passado o Brasil comprava petróleo a US$ 11,00 o barril. Atualmente, o preço está pouco acima dos US$ 27,00.
Segundo Montero, o pessimismo que dominou os mercados futuros de petróleo nas duas últimas semanas e levou a cotação do petróleo texano à barreira psicológica dos US$ 30,00 foi gerado por sinais de que o acordo será prorrogado. Houve uma manifestação do ministro do petróleo da Arábia no sentido de manter as cotas. Além disso, o Iraque tem ameaçado parar com as exportações do produto, caso não sejam reduzidas as restrições comerciais que hoje impedem compras de diversos bens por aquele país. Apesar das incertezas, o mercado futuro projeta queda no preço do barril ao longo dos próximos meses.
Montero não quis comentar sobre a possível data de um novo aumento nos preços dos derivados de petróleo no Brasil. Neste ano, apesar da constante elevação da cotação internacional do produto, nada foi repassado ao consumidor, disse. A diferença entre o custo de produção dos derivados de petróleo e o preço cobrado no mercado interno tem sido bancada pelo Tesouro Nacional, na forma de redução no saldo da conta-petróleo (que registra a diferença da cotação internacional do petróleo e o preço dos derivados no mercado interno). Até meados do ano passado, a conta acumulou um saldo positivo. Esse saldo está sendo consumido agora.





