O Brasil é um país de contrates e de descompasso. Enquanto a economia dá sinais de crescimento sustentado, o governo não consegue mostrar que pode dar sua contrapartida. São notórios os entraves do crescimento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue pelo mundo divulgando que o Brasil domina a tecnologia do biodiesel e do álcool anidro e que o futuro é da energia renovável. Porém, no mesmo País que tem tecnologia para garantir novos combustíveis, as rodovias estão um caos e não suportam o escoamento da safra. Safra esta necessária para a sustentação da produção do álcool e do biodiesel.
Em vários segmentos da economia e em outras áreas que estão nas mãos da iniciativa privada, os avanços são evidentes e animadores. Porém, se nestes setores o Brasil dá mostras de que pode, em breve, estar no primeiro mundo mas, quando a resposta precisa vir do governo, a cena é de terceiro mundo.
Segundo o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro, uma das características dos países em desenvolvimento e que estão de olho no seleto grupo dos países desenvolvidos, como a China e a Índia, é o investimento maciço em infra-estrutura.
''No Brasil há um descompasso entre a economia e o governo. Praticamente todos os demais setores da sociedade estão evoluindo rapidamente, ficando mais eficientes, produtivos e modernos. Mas o governo não acompanha o ritmo, parece que está parado no tempo. O Brasil é um dos maiores produtores de soja no mundo e, até recentemente, por problemas nas estradas e portos, quase 20% da safra ficava pelo caminho. Em países como os Estados Unidos, a produção agrícola é escoada por vias fluviais e ferrovias, com um custo infinitamente menor do que no nosso País. Aqui, além do governo deixar as estradas todas esburacadas, cobra caro pelo seu uso. É sempre bom lembrar que pagamos o IPVA, o Cid (imposto que incide sobre os combustíveis) e ainda o pedágio. Toda esta arrecadação leva a crer que o dinheiro, no mínimo é mal usado'', afirma Ribeiro.
Segundo Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), ''sem infra-estrutura o Brasil pára literalmente''. De acordo com extenso estudo da consultoria McKinsey sobre os principais problemas que afligem a economia brasileira, a precariedade da infra-estrutura, fruto de décadas de descaso e pouco investimento, tornou-se uma das maiores barreiras ao crescimento do país.
Recentemente o governo lançou com estardalhaço o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Porém, o PAC, por enquanto, está apenas no estardalhaço. Há inúmeras obras em atraso e boa parte do dinheiro destinado ao Programa ainda não foi liberado.
Entre os atrasos que mais preocupam está o que se refere a geração de energia. Segundo levantamento da revista Exame, dos sete projetos em situação considerada preocupante pelo governo dentro do PAC, seis referem-se a obras de geração e transmissão de energia. O mais alarmante é que os dois principais projetos de hidrelétricas - Santo Antônio e Jirau, ambas em Rondônia, no rio Madeira - estão com sinal vermelho devido ao atraso na concessão de licenças ambientais.
''O Governo incentivou os proprietários de veículos a transformar os motores de seus carros para poder rodar com Gás Natural Veicular (GNV). Milhares de proprietários fizeram isso. Aí vem o ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner e desaconselha a conversão dos motores. Isto é falta de respeito, falta de planejamento'', afirma Ribeiro.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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