Os sindicalistas deixaram a reunião com representantes da Câmara de Gestão da Crise de Energia sem garantias do governo de que os empregos serão preservados durante o racionamento de energia, previsto para durar, no mínimo, seis meses.
Segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, a paralisação programada para a próxima terça-feira, organizada em parceria com a CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), será mantida, caso as propostas apresentadas ontem pelos trabalhadores não sejam contempladas nas medidas a serem anunciadas amanhã.
Em uma proposta conjunta, a Força e a CGT propuseram ontem a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários e compensação para as empresas, na forma de redução de impostos.
Paulinho explicou que, com a redução da jornada, a indústria, por exemplo, poderia economizar no mínimo 4,3% e o comércio, cerca de 2,5%. Com relação aos impostos, os sindicalistas propuseram a redução das alíquotas de ICMS e ISS para o comércio e serviços e do IPI para a indústria.
A sinalização do governo na reunião de ontem, segundo Paulinho, está relacionada apenas com a ‘‘desoneração’’ de lâmpadas e geradores, preservação de áreas consideradas de risco para a segurança pública dos apagões e a promessa de anunciar investimentos de médio e longo prazos na próxima semana.
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, se disse ‘‘insatisfeito’’ com a reunião, da qual participaram, além do presidente da câmara, ministro Pedro Parente, os ministros José Jorge (Minas e Energia), Francisco Dornelles (Trabalho) e do diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), José Mário Abdo.
Para Felício, o governo não anunciou nenhuma proposta concreta relacionada à questão do emprego. ‘‘Eles não têm plano’’, constatou Felício. Ele espera que, entre as medidas a serem anunciadas amanhã, esteja o envio de um projeto ao Congresso Nacional para garantir a estabilidade do emprego. O ato organizado pela CUT, programado para esta sexta-feira, às 14h, na avenida Paulista, na região central de São Paulo, está mantido.
O presidente da Força levou ontem ao Palácio do Planalto uma bandeja para pedir a ‘‘cabeça’’ do ministro Pedro Malan. ‘‘Demitam o Pedro Malan e ponham a cabeça aqui’’, disse Paulinho, ao chegar para a reunião com a Câmara de Gestão da Crise de Energia.

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