Governo não abre mão de vender Copel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de novembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
O governo do Paraná insiste em vender a Co pel ainda este ano. O secretá rio de Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hu bert, disse ontem que em duas semanas o governo divulgará o resultado de avaliação sobre a continuidade do processo de privatização da estatal. O secretário disse que ''preliminarmente'' não se cogita a redução do preço mínimo, que foi considerado elevado pelos interessados na companhia.
Hubert não antecipou de que forma o governo pretende atrair interessados na compra da Copel pela terceira vez, já que as duas anteriores foram suspensas porque as empresas pré-qualificadas não depositaram as garantias exigidas no valor de R$ 400 milhões.
Em comunicado que correu no final da tarde para o mercado financeiro, Hubert disse que não era interessante para o Estado vender a estatal desmembrada ''porque isso reduziria o preço mínimo entre R$ 200 milhões a R$ 500 milhões''. Nesse caso, a empresa seria dividida em três setores (geração, transmissão e distribuição). O valor fixado em R$ 39,00 para o lote de mil ações da estatal em bloco cairia então para R$ 32,00, o que reduziria o preço mínimo.
É o que querem as empresas pré-qualificadas à compra, observa o analista Marcos Severini, do Banco Sudameris. Mas o desmembramento da estatal em empresas independentes seria demorado e exigiria nova remodelagem. ''Se o governo optar por esta solução, precisaria de no mínimo mais 60 dias para a realização de novo leilão''.
A remodelagem do processo de privatização para a divisão da Copel exigiria nova pré-qualificação das empresas na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A validade da pré-qualificação ainda em vigor para os três grupos empresariais que deveriam participar do leilão expira no próximo dia 26. Segundo técnicos da Aneel, a pré-qualificação financeira é válida por 30 dias e depois disso, tem que ser submetida à nova avaliação.
Hubert disse ainda que ''o governo nunca pensou em colocar recursos da alienação da Copel em despesas correntes'', respondendo aos questionamentos de que o Estado precisava dos recursos da privatização para fazer caixa. Os recursos seriam aplicados, segundo ele, em obras como recuperação de estradas e geração de empregos.
Em relação à aplicação de 70% dos recursos arrecadados com a privatização no Fundo Previdenciário do Funcionalismo Público, Hubert disse que o sistema já está capitalizado com um aporte de R$ 1,9 bilhão entre recursos captados do pagamento de royalties de Itaipu e do próprio governo.
O coordenador-executivo do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, Nelton Friedrich, disse que o leilão tem que ser cancelado definitivamente. ''Não pode haver redução de preço. A Copel não é um produto de final de feira. Não queremos a privatização agora, nem em nenhum outro governo''. Friedrich lembrou ainda que o governo federal cancelou todas as privatizações do setor de energia. (Com AF)


