Estimativas do Ministério da Fazenda indicam que a cotação do dólar entre R$ 2,40 e R$ 2,50 seria mais do que suficiente para estimular as exportações e gerar significativos superávits na balança comercial. Como a moeda norte-americana ficou acima desse patamar nos últimos meses e os resultados do comércio continuaram tímidos, o governo foi obrigado a reavaliar o assunto, reconhecer erros e, numa mudança de estratégia, montar um esquema agressivo para tentar fazer as exportações decolarem.
''Cometemos um erro crasso quando previmos um superávit de US$ 11 bilhões em resposta à desvalorização de 1999 e agora repetimos o erro ao esperar uma reação forte da balança à taxa de câmbio'', diz um técnico do ministério. Segundo ele, uma avaliação mais abrangente indica que o câmbio fixo por muito tempo e o aumento das importações, como ocorreu até a desvalorização de 1999, gerou um desestímulo para as empresas exportarem. ''Muitas saíram do mercado'', afirma. ''A volta delas demoraria entre três e quatro anos.'' Um estudo feito pelo ex-diretor de Política Econômica do Banco Central Sérgio Werlang mostra que a cotação do dólar a R$ 2,45 equivale à taxa de câmbio praticada em 1992, quando o Brasil gerou superávits comerciais significativos. Foram US$ 15,2 bilhões em 1992 e outros US$ 13,3 bilhões no ano seguinte.
''É razoável supor que, com o câmbio um pouco acima dos R$ 2,45, a probabilidade das exportações deslancharem é grande. O difícil é prever esse nível, mas uma taxa de R$ 2,70 não é absurda.'' O agravante para o técnico da Fazenda é que, apesar dos esforços do governo, o cenário atual de retração da economia mundial deve ser um novo fator de inibição. O certo, admite, é que o Brasil perdeu o ''timing das exportações''. Pois há dois anos, além da desvalorização, o País tinha a seu favor os mercados internacionais, principalmente os Estados Unidos, em ritmo de crescimento. Com o governo prestes a lançar novo pacote para estimular as exportações, ele se conforta: ''É melhor agir tarde do que nunca, pois, apesar de tudo, nós garantimos a inflação sob controle.''
Responsável pela política de bandas cambiais até a desvalorização de 1999, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco admite que o câmbio ficou um tempo sobrevalorizado. ''Mas não muito'', frisa. E garante que o câmbio sozinho não consegue mudar o ritmo das exportações. ''É preciso baixar o custo Brasil que ninguém ouve mais falar'', afirma, referindo-se à carga tributária, aos altos custos portuários e dos fretes. Para Franco, falta também infra-estrutura adequada para o Brasil se consolidar como um País exportador.

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