Governo manterá PSI durante 2013
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de dezembro de 2012
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Para tentar garantir o crescimento da economia no ano que vem e atingir o almejado PIB de 4%, o governo federal renovou na última quarta-feira o Plano de Sustentação do Investimento (PSI). O programa, pelo qual é possível financiar máquinas e equipamentos diversos, tratores, colheitadeiras, caminhões, ônibus e até projetos de inovação, terá orçamento de R$ 100 bilhões a maior parte repassada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os juros, um pouco acima dos praticados hoje, ainda serão bem camaradas, variando de 3% a 5,5% ao ano dependendo do produto a ser financiado. Eles vão sofrer reajustes no início do ano e também na virada do primeiro para o segundo semestre. Mesmo assim, na maioria dos casos, podem ser considerados negativos, já que a inflação deverá superá-los.
No agronegócio, os juros do PSI sofreram duas quedas importantes em 2012. Saíram de 7,7% ao ano para 5,5% ao ano em abril e, depois, para 2,5% ao ano no final de agosto. Para 2013, terão uma leve alta de 0,5% ao ano no primeiro semestre e mais 0,5% no segundo semestre.
Segundo Régis Mazzardo, diretor comercial da New Agro, concessionária New Holland em Maringá, o pequeno aumento não vai assustar o produtor, tendo em vista as taxas praticadas anteriormente. "Vão continuar renovando a frota porque ainda será uma taxa muito baixa. Na verdade, será negativa quando a gente leva em conta a inflação. O mercado seguirá bem aquecido", acredita.
O produtor rural Nelson Paludo, de Toledo, elogiou o fato de o governo ter adiantado já as taxas que vão vigorar durante todo o próximo ano. "Quando o governo baixou para 2,5% e disse que valeria só até 31 de dezembro, muita gente saiu comprando maquinário sem ter necessidade. Compraram juros", afirma.
De acordo com Paludo, esse fenômeno acarretou um aumento de preços desses equipamentos, que começaram a faltar nas concessionárias. "Então, essa baixa de juros quase se perdeu em virtude do reajuste de preços", analisa. Sabendo de antemão as taxas que serão praticadas nos próximos 12 meses, haverá tempo para as indústrias programarem a produção e os produtores comprarem sem correria. "As taxas para o ano que vem continuam muito boas", ressalta.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Moacir Sgarioni, diz que melhor seria se não houvesse o aumento de 0,5% já em janeiro. "Mas não podemos reclamar: 3% ainda é muito bom e compatível com a rentabilidade do negócio", alega.
O controler da Angelus Ciência e Tecnologia, Paulo Calixto, considera a manutenção do PSI "uma baita oportunidade". "Agora, é o empresário acreditar no País e colocar as coisas para andarem", afirma. Neste ano, a indústria de produtos odontológicos que tem sede em Londrina obteve financiamentos na ordem de R$ 3,7 milhões para projetos de inovação. "É um dinheiro que a gente pode utilizar para pagar pesquisadores, patentear produtos, entre outras finalidades", afirma.
De acordo com Calixto, trata-se de uma "dívida saudável", que não compromete o caixa da empresa. No caso dos projetos de inovação, o dinheiro pode ser pago em até 120 meses, com 48 meses de carência. No ano que vem, as taxas para inovação serão de 3,5%.



