Governo mantém taxa de juro em 19%
Agência Folha
De Brasília
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu ontem manter inalterada a taxa de juros em 19% ao ano, mas com indicação de tendência de baixa. O governo atribuiu a manutenção dos juros à decisão do Supremo Tribunal Federal de derrubar o aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos.
A decisão do Copom, que é formado pela diretoria do BC, deu o sinal de que a equipe econômica manterá uma posição cautelosa em relação à taxa de juros básica da economia. A tendência de baixa, porém, indica que os juros podem cair antes do próximo dia 10 de novembro, quando o Copom se reúne novamente.
Segundo Luiz Fernando Figueiredo, diretor de Política Monetária do BC, o Copom decidiu adotar a posição conservadora de manter a taxa de juros em 19% ao ano por causa da incerteza gerada no mercado pela decisão do STF um choque importante, nas palavras do diretor. O viés de baixa foi adotado porque o efeito dessa decisão será compensado por medidas de curto prazo, afirmou Figueiredo.
O último corte na Selic (a taxa definida pelo Copom) ocorreu na reunião de 22 de setembro, quando a taxa caiu de 19,5% para 19% ao ano. Aquela foi a 11ª redução promovida pelo BC desde março deste ano, quando a Selic alcançava 45% ao ano.
Na ocasião, entretanto, os diretores do BC decidiram não indicar uma tendência para a taxa de juros de alta ou de baixa. Na reunião de ontem, o Copom não alterou os compulsórios recolhidos pelos bancos ao BC, medida que é esperada pelo mercado.
A redução nos compulsórios deve provocar impacto positivo na atividade econômica. A medida permite que os bancos disponham de maior quantidade de dinheiro para oferecer ao setor produtivo e aos consumidores. Assim, podem cair os juros para os tomadores finais.
No início de setembro, o compulsório sobre depósitos à vista o dinheiro das contas correntes caiu de 75% para 65%. A parcela correspondente aos depósitos a prazo como CDBs e poupança havia sido reduzida de 20% para 10% alguns dias antes.
Na época, o BC calculou que somente a diminuição de dez pontos percentuais no compulsório sobre depósitos à vista foi capaz de injetar R$ 3 bilhões na economia, sem gerar pressões inflacionárias.
BolsaNo mercado financeiro, a expectativa de manutenção dos juros em 19% e notícia de que o presidente Fernando Henrique quer um pacto com o Congresso para acelerar as reformas levaram a Bolsa de São Paulo a recuperar perdas de pregões anteriores e fechar em alta de 3,86%





