Governo mantém subsídios só até abril
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - O governo decidiu ontem, em reunião com triticultores, moageiros e corretores, no Ministério da Fazenda, em São Paulo, manter os leilões de PEP para o trigo até o final de abril. Segundo o secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, o governo promoverá gradativa redução do volume ofertado nos próximos leilões. O valor do prêmio oferecido como subsídio nos leilões PEP também irá cair. Com o aumento do preço do trigo na Argentina, na última semana, argumenta Dias, não há mais necessidade de subsídio para o trigo brasileiro.
Na última semana o preço do trigo argentino disparou, atingindo, na sexta-feira, dia 21, US$ 162 por tonelada. Dias explica esta alta pelo fato de a Argentina ter reduzido a cotação do trigo argentino em cerca de US$ 30 por tonelada para conseguir vendê-lo no mercado internacional. Agora que a Argentina já vendeu mais de 8 milhões de toneladas de um total de 11,5 milhões disponíveis para exportação, os preços argentinos podem voltar a refletir a demanda do mercado.
O secretário de Política Agrícola disse também que os leilões do PEP superaram as expectativas, vendendo, em cerca de 4 meses, 1 milhão de toneladas do produto. Ainda estão disponíveis no mercado cerca de 500 mil toneladas de trigo, mais de 400 mil no Paraná. Segundo o técnico da Conab, Paulo Magno, a boa demanda registrada no leilão de PEP de ontem, quando foram vendidos 55% do ofertado (68 mil toneladas) indica que o leilão de PEP ainda tem fôlego, principalmente com a alta do produto argentino. Os moinhos brasileiros resolveram não fazer estoques este ano, esperando que os preços caíssem ainda mais, e estão precisando do produto neste momento, disse.
Equivalência O governo também vai iniciar, em duas ou três semanas, a realização de leilões de trigo no programa de equivalência-produto. Estes leilões deverão ser feitos juntamente com os leilões de PEP. Eles acreditam que os leilões de PEP, por causa da diminuição do subsídio e com o fim do trigo disponível no mercado, perderão força. Assim, surgirá oportunidade de o governo colocar em leilão o trigo que está armazenado em garantia dos empréstimos com direito à equivalência-produto. Segundo Dias, os números não estão fechados, mas só no Rio Grande do Sul e no Paraná há 300 mil toneladas. Desta forma, governo poderá evitar a formação de estoques nesta safra.
O secretário informou também que a política para a safra de trigo de 97 só sairá no final de março. Ainda estão sendo feitos estudos para que sejam divulgados os números deste ano, disse. Segundo uma fonte do setor, entre as medidas estudadas estão: 1) entrega do produto em AGF para o programa comunidade solidária e, 2) mudanças nos critérios de zoneamento agrícola, com alteração de prêmio do Proagro.
Milho O governo e os representantes do setor milho estão estudando também a criação de um leilão - nos moldes do PEP - para o escoamento da produção de milho. O secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, disse que, embora exista disposição do governo de criar um mecanismo semelhante ao do trigo, o mercado de milho é mais complicado. Na sua opinião, talvez os leilões nos moldes do trigo não sejam apropriados, pois só as grandes tradings teriam chances. Por isso, disse ele, é preciso mais esforço para fechar todas as pontas e para que nenhuma das partes seja favorecida.


