Governo mantém preço mínimo do trigo para próxima safra
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
O diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, anunciou ontem que o governo federal irá manter o preço mínimo de R$ 157,00/tonelada para a comercialização do trigo na próxima safra. Santo e representantes do Ministério estiveram em Curitiba para uma reunião com produtores, cooperativas e Secretaria da Agricultura. Entre as medidas, ele adiantou que haverá redução das alíquotas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro).
A alíquota do Proagro cairá de 4% para 3%, redução que atendeu a reinvindicação dos produtores de trigo em todo o País. Mas a redução vale apenas para os agricultores que fizerem o plantio direto. Decidimos reduzir a taxa, o plantio direto diminui o risco de perda, afirmou o diretor de Economia Agrícola.
Segundo Santo, o governo federal fixou as regras para o plantio de trigo para que não haja mudança a cada ano. Ele disse que o fim do anúncio anual dos planos de safra foi possível por causa da estabilização da economia. Uma das metas para este ano é incentivar o plantio direto -prática que na safra passada foi utilizada em apenas 20% da área.
O plano anunciado pelo Ministério da Agricultura não atendeu a dois pedidos dos agricultores: redução na taxa de juros e inclusão da cobrertura do Proagro para as perdas provocadas por seca ou chuva. A taxa de juros dos financiamentos foi mantida em 12% ao ano. Pedimos uma redução dos juros para 7%, o que considerávamos um bom índice, disse o presidente da Fecotrigo (Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul), Rui Polidoro Pinto.
No caso da abrangência do Proagro, até mesmo o diretor de Economia Agrícola do Ministério admitiu estar frustrado com o fato de o programa não ressarcir prejuízos causados por fatores climáticos. Infelizmente, o Proagro não foi reformulado neste ponto, disse Santo. A linha de crédito para o plantio se manteve nos mesmos níveis do ano passado, quando foram liberados R$ 173 milhões.
O secretário da Agricultura, Hermas Brandão, disse que o anúncio feito pelo Ministério atende às necessidades dos produtores. Mas ele fez uma ressalva ao alertar que os triticultores precisam ter os recursos nos prazos certos. É necessário garantir o cronograma de repasse dos recursos, declarou Brandão. As regras para o trigo serão aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional no próximo dia 27.


