Brasília - O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu ontem manter a meta de inflação para 2006 em 4,5% e fixar a de 2007 também em 4,5%, assegurando um plano de vôo mais tranqilo para a trajetória de redução do índice oficial de inflação, o IPCA, hoje em 8,05%.
A estratégia definida pelo CMN representa, na prática, a possibilidade de o governo trabalhar com uma política monetária (definição de taxas de juros para conter a inflação) mais branda, acomodando com maior margem de manobra eventuais choques que poderiam exigir nova alta dos juros.
Para este ano, a meta de inflação também é de 4,5%, embora o Banco Central (BC) já tenha definido que perseguirá o índice de 5,1%. As estimativas do mercado financeiro são de que a inflação medida pelo IPCA fique em 6% este ano. Isso significa que, mantida a trajetória de queda do índice, não será uma tarefa difícil aproximar o resultado de 2006 do chamado centro da meta e, certamente, alcançar os 4,5% no fim de 2007, já no primeiro ano de mandato do próximo governo.
A discussão sobre dar mais flexibilidade ao regime de metas, permitindo uma acomodação mais suave em momentos de crise, é antiga. O governo sempre resistiu por entender que isso poderia ser interpretado como tolerância a uma inflação maior. Com a decisão do CMN, a equipe econômica encontrou uma forma de perseguir a queda da inflação sem mudar o patamar de referência do mercado: manteve os 4,5%, mas permitiu que o resultado seja alcançado nos próximos dois anos.
Ao anunciar a decisão, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, confirmou que a expectativa é consolidar a inflação em torno de 4% nos próximos anos para, somente depois, o País buscar níveis ''mais ousados'', abaixo desse porcentual. ''Os dados recentes são bons, mas não nos autoriza a festividades nem a antecipar decisões'', afirmou, ao ser questionado se a decisão do CMN não era um sinal de que a inflação deste ano ficará bem acima dos 5,1% que a autoridade monetária diz estar mirando. Palocci defendeu a política monetária e disse que somente o tempo mostrará se a inflação foi definitivamente debelada. Segundo ele, todos os indicadores confirmam o sucesso da política econômica.

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