Governo mantém IPI reduzido para veículos até dezembro
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O governo federal decidiu manter até o final do ano as alíquotas reduzidas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidentes sobre veículos novos. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, o governo vai deixar de arrecadar R$ 800 milhões com a medida.
O IPI sobre veículos de até mil cilindradas, por exemplo, continua em 3% até o fim de dezembro e não retornará à alíquota normal de 7%, como estava previsto para ocorrer a partir de hoje. Para veículos com motor flex até 2.0, a alíquota retornaria para 11%, mas será mantida em 9%. Para os a gasolina, de 1.0 a 2.0, continua em 9%.
A manutenção das alíquotas menores foi anunciada após o ministro se reunir com representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As montadoras reclamam do alto nível dos estoques. Elas reduziram em 18% a produção de veículos nas linhas de montagem em maio, na comparação com o mesmo mês de 2013.
Para o presidente da Anfavea, Luiz Moan, com a prorrogação das atuais alíquotas do IPI, as vendas do segundo semestre serão melhores do que as dos seis primeiros meses do ano. No entanto, ele preferiu não fazer projeções. O balanço do primeiro semestre será divulgado no dia 7 de julho e, segundo o presidente da Anfavea, as indústrias vão fazer o máximo esforço para manter os empregos dos trabalhadores.
De acordo com o ministro Mantega, "uma série de motivos, entre os quais, a questão do crédito", influenciou negativamente o setor no primeiro semestre. "Houve uma diminuição de crédito e um encarecimento nesse período e também no período mais atual", disse Mantega.
O ministro afirmou ainda que a Copa, "apesar de estar sendo um sucesso" e de ser boa para o País, tem impactos negativos no setor. "Foram sete dias úteis a menos (em junho), o que influenciou as vendas", disse. "Temos que tomar as medidas para viabilizar um segundo semestre melhor". Segundo Mantega, há uma certa semelhança entre o primeiro semestre do ano passado e o deste ano. "Estamos trabalhando com uma projeção que, este ano, seja semelhante ao ano passado", completou.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, disse que, caso o governo resolvesse aumentar o IPI, a medida geraria "efeito cascata de impostos sobre impostos". Segundo ele, o mercado de bens duráveis parou com a Copa do Mundo. "Agora (com o IPI reduzido), pelo menos, não vamos ter nada para agravar o quadro", avaliou. Meneghetti espera uma melhora do cenário no segundo semestre, com o fim da Copa devido ao fato de não haver feriados em dias úteis.
O empresário afirmou que, de janeiro a maio deste ano, as vendas de automóveis e comerciais leves acumulam queda de 7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2013, as vendas fecharam com queda de -1,7%. Ele preferiu não citar números, mas previu que o setor feche 2014 com vendas menores que no ano passado.
Meneghetti não acredita que as concessionárias vão conseguir oferecer novas promoções para os clientes. "Mais promoções do que estão sendo feitas hoje é impossível", disse. Ele criticou a alta carga tributária do País e afirmou que mais de 30% do preço de um carro são impostos enquanto no resto do mundo este percentual varia de 6% a 22%.
O gerente de veículos novos da Champagnat Veículos (revendedora GM em Curitiba), Michel Cruzatti, acredita que, com o IPI reduzido, as vendas vão ficar estáveis. Segundo ele, em junho, elas caíram 30% em relação a maio em função da Copa do Mundo. (Com agências)


