Brasília O governo manteve, ontem, a disposição de aprovar o Projeto de Lei (PL) 9 em tramitação no Congresso, que estabelece um teto único para aposentadorias dos setores público e privado e cria um fundo complementar de previdência , apesar da resistência da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e da Previdência Social, Ricardo Berzoini, a Executiva Nacional da CUT pediu à administração federal que abandonasse o PL 9. Em contrapartida, o Poder Executivo dispôs-se a discutir com os sindicalistas alguns aspectos do PL.
''O presidente disse que o projeto tramitará normalmente no Congresso, mas que eles abrirão uma negociação conosco para discutir determinados pontos'', afirmou o presidente da entidade, João Felício. ''Vamos insistir em elevar o teto da aposentadoria e vamos debater com as bases se iremos fazer uma contraproposta ao PL 9.'' Pelo projeto de lei, que estabelece regras de aposentadoria para servidores que ingressarem no serviço público a partir da data da aprovação, o teto para a aposentadoria do funcionário público se igualaria ao do setor privado, que é R$ 1.561,00.
Salário mínimo Segundo Felício, Lula reafirmou o compromisso de campanha de dobrar o valor do salário mínimo em quatro anos. ''Levamos nossa reivindicação de 240 reais para o mínimo, desde que não seja retomada a inflação'', afirmou. ''O presidente ouviu e não falou em valores. O anúncio será feito apenas em abril, mas estou confiante de que vamos ter um pequeno aumento real.''
A CUT ouviu de Palocci uma explicação sobre a situação econômica do País e saiu com um discurso bastante afinado com o do governo sobre a necessidade de manter os juros altos para controlar a inflação. ''Sem a aprovação das reformas e sem a busca do mercado externo, a gente não conseguirá fazer a economia voltar a crescer e desenvolver-se'', afirmou.
Felício conformou-se com o fato de os juros, provavelmente, não serem reduzidos este ano. ''Ninguém dará cavalo-de-pau em Boeing'', disse. ''Não se pode sair de um modelo econômico para outro assim, de uma hora para outra. A inflação precisa ser controlada.'' De acordo com ele, o Executivo federal está disposto a apresentar as reformas da Previdência e tributária para o Congresso ainda neste semestre.

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