Brasília - A economia deverá crescer neste primeiro trimestre num ritmo mais lento do que o verificado no final de 2003. Ainda assim, o governo mantém a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça a uma taxa de 3,5% este ano. A análise consta do primeiro relatório de inflação de 2004, divulgado ontem pelo Banco Central (BC).
De acordo com o diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua, os indicadores apurados até agora indicam que o processo de retomada do nível de atividade, iniciado no segundo semestre de 2003, manteve-se nestes primeiros meses de 2004. ''Porém, com taxas de crescimento mais discretas'', afirma a diretoria do BC no relatório.
Segundo Bevilaqua, essa redução no ritmo de crescimento é verificada sempre que ocorre um processo de retomada do nível de atividade. ''O arrefecimento não deve ser interpretado de forma negativa'', ponderou. O BC não estimou quais serão as taxas de crescimento trimestre a trimestre este ano.
Mas Bevilaqua considera que as projeções feitas por alguns analistas, de crescimento de 0,8% a 0,9% no conjunto dos primeiros três meses do ano, frente ao último trimestre de 2003, são uma boa estimativa. ''Um crescimento dessazonalizado de 0,8% a 0,9% é um dado bom, é um bom crescimento'', avaliou.
Para o diretor do BC, o crescimento da economia em 2004 será sustentado pelo aumento de crédito no País, aliado à recuperação das expectativas e do gradativo aumento dos rendimentos reais médios dos trabalhadores. ''Isso é fundamental para dar sustentação ao crescimento da economia'', disse. Segundo Bevilaqua, o cenário traçado neste momento é bastante positivo, já que consolida todo o trabalho feito pelo governo para manter a estabilidade macroeconômica, necessária para conduzir o País a um período de crescimento em bases sustentadas. ''Isso não é trivial'', comentou.
O setor agropecuário deve repetir em 2004 o bom comportamento verificado nos últimos anos. De acordo com as estimativas do BC, o setor deverá crescer 5,2% este ano, impulsionado pelo crescimento da safra de grãos e pela tendência de expansão da atividade pecuária.
Para a indústria, a estimativa é de um aumento de 4,5% no nível de produção, reflexo das perspectivas positivas de continuidade do processo de aumento das exportações e da recuperação da demanda por produtos no mercado interno, consequência direta da expectativa de recuperação dos rendimentos dos trabalhadores. A indústria da construção civil, segmento que teve a maior queda em 2003, tem projetado pelo BC um crescimento de 3,2%. O setor de serviços deverá crescer 2,3%, refletindo o bom comportamento esperado para a agropecuária e a retomada do nível de atividade esperada para as indústrias do País.

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