São Paulo – O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, respondeu ontem às críticas do mercado de que o governo teria afrouxado o regime de metas de inflação. ‘‘As metas não mudaram, nosso comportamento não mudou’’, disse Fraga ontem, em seminário promovido pela Ordem dos Economistas em São Paulo. De acordo com ele, o BC preferiu não concentrar neste ano o combate à inércia inflacionária existente dos choques ocorridos em 2001. ‘‘O que não significa de maneira alguma abandono ou afrouxamento, já que todos os bancos centrais de países com regimes semelhantes seguem essa filosofia’’, afirmou.
Segundo o presidente do BC, essa é a principal explicação para a decisão de reduzir 0,25 ponto porcentual da taxa básica de juros, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. Fraga disse que a ata da reunião, que será divulgada quinta-feira, deve ser lida com atenção, pois o documento vai mostrar de maneira detalhada a interpretação do BC sobre o assunto.
Fraga afirmou que o BC está apenas reagindo às condições presentes no ambiente. Segundo ele, um dos pontos mais interessantes em discussão atualmente é o tratamento que o BC deve dar a eventuais choques. Para não cair no que chamou de ‘‘tentação do curto prazo’’, Fraga disse que o sistema de metas procura ser uma solução. ‘‘O sistema tem a flexibilidade necessária para enfrentar esses choques e evitar uma volatilidade desnecessária do produto’’, afirmou.
Para o presidente do BC, um bom teste para avaliar as consequências de choques é a adoção do exame da trajetória mais longa da taxa de inflação. Fraga ressaltou que países como o Canadá se valem desse tipo de exame para checar se as expectativas estão convergindo para a meta.
Fraga disse que a adoção do índice do núcleo de inflação (core inflation), em comparação com o atual índice cheio, não traria ‘‘diferença prática’’. Segundo ele, o BC não tem um grau de confiança no atual sistema de apuração do núcleo. Isso, segundo Fraga, poderia levar a conclusões erradas.

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