Governo mantém controle da inflação
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
São Paulo O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, respondeu ontem às críticas do mercado de que o governo teria afrouxado o regime de metas de inflação. As metas não mudaram, nosso comportamento não mudou, disse Fraga ontem, em seminário promovido pela Ordem dos Economistas em São Paulo. De acordo com ele, o BC preferiu não concentrar neste ano o combate à inércia inflacionária existente dos choques ocorridos em 2001. O que não significa de maneira alguma abandono ou afrouxamento, já que todos os bancos centrais de países com regimes semelhantes seguem essa filosofia, afirmou.
Segundo o presidente do BC, essa é a principal explicação para a decisão de reduzir 0,25 ponto porcentual da taxa básica de juros, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. Fraga disse que a ata da reunião, que será divulgada quinta-feira, deve ser lida com atenção, pois o documento vai mostrar de maneira detalhada a interpretação do BC sobre o assunto.
Fraga afirmou que o BC está apenas reagindo às condições presentes no ambiente. Segundo ele, um dos pontos mais interessantes em discussão atualmente é o tratamento que o BC deve dar a eventuais choques. Para não cair no que chamou de tentação do curto prazo, Fraga disse que o sistema de metas procura ser uma solução. O sistema tem a flexibilidade necessária para enfrentar esses choques e evitar uma volatilidade desnecessária do produto, afirmou.
Para o presidente do BC, um bom teste para avaliar as consequências de choques é a adoção do exame da trajetória mais longa da taxa de inflação. Fraga ressaltou que países como o Canadá se valem desse tipo de exame para checar se as expectativas estão convergindo para a meta.
Fraga disse que a adoção do índice do núcleo de inflação (core inflation), em comparação com o atual índice cheio, não traria diferença prática. Segundo ele, o BC não tem um grau de confiança no atual sistema de apuração do núcleo. Isso, segundo Fraga, poderia levar a conclusões erradas.


