Imagem ilustrativa da imagem Governo libera saque total de contas inativas do FGTS
| Foto: Fotos: Marcos Zanutto
O assessor jurídico Sidnei Lopes de Almeida, sobre a redução nos juros: "se for verdade, será muito bom"
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Luana Figueiredo, estudante: "para quem tem muita dívida, é um benefício"
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O dono de farmácia Valmir Godoi: "Quando reduzem os juros, aumenta o consumo"


Brasília – Encerrando o ano com a economia ainda em recessão e baixa popularidade, o presidente Michel Temer anunciou nesta quinta-feira (22) três medidas destinadas a agradar a classe média e trabalhadores: saque de contas inativas do FGTS, redução dos juros de cartões de crédito e prorrogação do programa de proteção ao emprego.
Classificadas de bondades de final de ano, as iniciativas foram divulgadas pelo próprio presidente durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada. Ele fez questão de abrir sua fala à imprensa listando as medidas nesta reta final de ano.
No caso do FGTS, o governo vai autorizar os trabalhadores a sacarem todo saldo de contas inativas existentes em 31 de dezembro de 2015. Inicialmente, o governo pensou em criar um limite para o saque, de R$ 1.000, mas desistiu na noite de quarta-feira (21) por considerar de alta complexidade operacional. Os trabalhadores poderão sacar todas as contas inativas que tiverem de FGTS. No início de fevereiro, será divulgado um calendário de saque, de acordo com a data de nascimento do trabalhador, para evitar correria nas agências da Caixa Econômica Federal.
O governo avalia que a medida vai injetar, ao longo do próximo ano, R$ 30 bilhões na economia, ajudando os trabalhadores a quitarem dívidas. Não haverá, porém, vinculação do saque ao pagamento de débitos. A pessoa poderá usar o recurso onde desejar.
"É uma injeção de recursos que vai movimentar a economia e poderia alcançar 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto)", afirmou o presidente, lembrando que, hoje, cerca de 86% das contas inativas têm saldo na casa de um salário mínimo, R$ 880. O saque do FGTS pode beneficiar 10,2 milhões de trabalhadores, segundo estimativas do governo.

JUROS DOS CARTÕES
No caso dos cartões de crédito, o governo buscou também adotar uma medida sempre reclamada pela classe média, de redução dos juros cobrados nesta modalidade de crédito. O governo acertou com bancos e operadoras de crédito que o cartão de crédito rotativo será transformado em parcelado depois do primeiro vencimento, de 30 dias.
Com esta medida, a expectativa do Palácio do Planalto é que os juros caiam de mais de 400% para menos de 200%. "No primeiro trimestre, haverá redução de mais da metade dos juros cobrados no cartão de crédito", afirmou o presidente.
Questionado se a medida não era uma intervenção na economia, o presidente refutou. Disse que a medida foi acordada com bancos e operadoras de cartão de crédito, depois de negociações feitas ao longo das últimas semanas, e que o governo está adotando medidas para reduzir os custos destas empresas.

REPERCUSSÃO

Quem tem motivos para comemorar a decisão de Temer de liberar as contas inativas do FGTS é a empresária londrinense Olívia Irani da Luz, que já tentou sacar o dinheiro para pagar uma cirurgia na mão, mas foi informada pela Caixa que isso só seria possível na aposentadoria. "Ainda faltam 12 anos", contou. O dinheiro que ela tem bloqueado não é pouco. É referente a um emprego de 19 anos em Santa Catarina. A conta já está inativa há seis anos. "Vou pegar esse dinheiro e pagar a cirurgia da outro mão. Vem em boa momento."
Já a auxiliar financeira Rose Gomes não demonstrou nenhuma empolgação quando informada pela reportagem a respeito da liberação do dinheiro. Ela tem uma conta inativa de um emprego no qual ficou apenas seis meses, antes de pedir demissão. "É tão pouquinho que nem sei se vou atrás", afirmou.
Quem usa ou já usou o rotativo do cartão de crédito também ficou satisfeito com a notícia do corte nos juros. "Se isso acontecer de verdade, será muito bom, mesmo ainda ficando muito alto", afirmou o assessor jurídico, Sidnei Lopes de Almeida. Questionado se duvida da efetivação da medida, ele declarou confiar na equipe econômica do governo Temer. Embora hoje esteja com as contas em dia, ele já passou maus bocados por conta dos juros extorsivos do cartão. Para quitar o débito, precisou recorrer à mãe, que é aposentada, e conseguiu um empréstimo consignado para repassar a ele. "Ainda estou tendo de pagar para ela, mas as contas estão todas em dia."
Dono de farmácia, Valmir Godoi comemorou. "Quando reduzem os juros, aumenta o consumo e a economia melhora como um todo", justificou. Ele também está com as contas em dia, mas já utilizou o limite do cartão. "Foi o bicho", resumiu. Godoi disse que, na ocasião, quase perdeu a empresa por causa dos juros. Já a estudante Luana Figueiredo ficou "feliz pelos outros". "Pago sempre o total da fatura. Então, a queda nos juros não vai me afetar. Mas, para quem tem muita dívida, é um benefício", afirmou.

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