Governo libera R$ 70 milhões para café
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quinta-feira, 05 de outubro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Os cafeicultores brasileiros que perderam suas lavouras com as geadas de julho, receberão R$ 70 milhões para recuperação da lavoura. A expectativa é que o Paraná receba em torno de R$ 50 milhões, já que foi o mais prejudicado.
A medida foi recebida com ceticismo pelos cafeicultores paranaenses.
A liberação dos recursos foi comunicada na noite de quarta-feira, pelo ministro Pratini de Moraes ao secretário da Agricultura do Paraná. Antonio Poloni foi a Brasília, acompanhado de deputados federais, para cobrar do Ministério a promessa que havia sido feita ao governador Jaime Lerner, há 15 dias. Dessa vez, Poloni acredita que os recursos estão assegurados porque o ministro enviará ao Conselho Monetário Nacional um voto ad referendum que vai concretizar essa decisão.
Os recursos são do Funcafé, cujos financiamentos para recuperação das lavouras terão juros fixos de 9% ao ano. O prazo para o pagamento é de um a três anos, de acordo com o plano técnico de cada produtor. Os recursos poderão ser utilizados para cobrir gastos com recepa e decote dos pés de café prejudicados.
A reivindicação que Poloni levou a Brasília previa R$ 80 milhões para o Paraná, para o replantio de 10 mil ha de lavouras destruídas, substituição de 10 mil ha de lavouras tradicionais, a recepa de 20 mil ha e o custeio para tratos culturais como o decote em 40 mil ha.
Apenas as duas últimas reivindicações estão sendo atendidas. Não estão sendo liberados recursos para o replantio e substituição das lavouras tradicionais. O diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara, disse que o Paraná continuará negociando esses dois pontos que dependem de recursos do BNDES.
As lideranças da cafeicultura do Paraná se manifestaram com pessimismo em relação à medida. O presidente da Associação, Newton Carneiro, não acredita na liberação desses recursos porque não estão previstos em orçamento. A não ser que se faça uma manobra muito grande, porque de forma regular não existem as vias legais que mostrem a origem do dinheiro, desafiou. Wilson Baggio, diretor da Faep, também criticou.


