Os cafeicultores brasileiros que perderam suas lavouras com as geadas de julho, receberão R$ 70 milhões para recuperação da lavoura. A expectativa é que o Paraná receba em torno de R$ 50 milhões, já que foi o mais prejudicado.
A medida foi recebida com ceticismo pelos cafeicultores paranaenses.
A liberação dos recursos foi comunicada na noite de quarta-feira, pelo ministro Pratini de Moraes ao secretário da Agricultura do Paraná. Antonio Poloni foi a Brasília, acompanhado de deputados federais, para cobrar do Ministério a promessa que havia sido feita ao governador Jaime Lerner, há 15 dias. Dessa vez, Poloni acredita que os recursos estão assegurados porque o ministro enviará ao Conselho Monetário Nacional um voto ‘‘ad referendum’’ que vai concretizar essa decisão.
Os recursos são do Funcafé, cujos financiamentos para recuperação das lavouras terão juros fixos de 9% ao ano. O prazo para o pagamento é de um a três anos, de acordo com o plano técnico de cada produtor. Os recursos poderão ser utilizados para cobrir gastos com recepa e decote dos pés de café prejudicados.
A reivindicação que Poloni levou a Brasília previa R$ 80 milhões para o Paraná, para o replantio de 10 mil ha de lavouras destruídas, substituição de 10 mil ha de lavouras tradicionais, a recepa de 20 mil ha e o custeio para tratos culturais como o decote em 40 mil ha.
Apenas as duas últimas reivindicações estão sendo atendidas. Não estão sendo liberados recursos para o replantio e substituição das lavouras tradicionais. O diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara, disse que o Paraná continuará negociando esses dois pontos que dependem de recursos do BNDES.
As lideranças da cafeicultura do Paraná se manifestaram com pessimismo em relação à medida. O presidente da Associação, Newton Carneiro, não acredita na liberação desses recursos porque não estão previstos em orçamento. ‘‘A não ser que se faça uma manobra muito grande, porque de forma regular não existem as vias legais que mostrem a origem do dinheiro’’, desafiou. Wilson Baggio, diretor da Faep, também criticou.

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