Vânia Casado
Curitiba
O governo voltou a comprar feijão dos produtores com a finalidade de promover reação nos preços. Ao todo foram liberados R$ 20 milhões para o AGF do feijão (Aquisição do Governo Federal) em sete estados produtores. Para o Paraná e Santa Catarina foram liberados R$ 3,5 milhões em duas parcelas, uma de R$ 1,75 milhão em recursos já disponíveis nas agências do Banco do Brasil. A segunda parcela será definida de acordo com a demanda na próxima segunda-feira.
O limite de compra foi ampliado de 150 sacas para 1.000 sacas nos estados da Bahia, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal e permanece em 150 sacas nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde prevalece a pequena propriedade com uma média de seis hectares. Até agora foram liberados R$ 10 milhões para todos os estados.
Paraná e Santa Catarina devem receber R$ 3,5 milhões, Rio Grande do Sul R$ 1 milhão, Bahia 2,5 milhões, Minas Gerais R$ 3,0 milhões, Goiás R$ 3,0 milhões, Distrito Federal R$ 1 milhão e mais R$ 2,5 milhões como reseva técnica, informou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para o mercado, a liberação de recursos não é suficiente para os preços reagirem. O dinheiro disponível no Paraná dá para comprar 62.500 sacas de 60 quilos, que correspondem a 5% do volume que ainda está nas mãos dos produtores, estimado em 76.000 toneladas, afirma o engenheiro agrônomo Gilberto Martins Bello, da Secretaria da Agricultura. Segundo ele, o mercado começou a reagir em algumas regiões produtoras do Paraná, mas em função da entrada de safra nova e não pelo enxugamento da oferta.
A Superintendência do Banco do Brasil no Paraná reconhece que o volume de recursos para o AGF do feijão é pouco, perto da demanda levantada pelo banco que era de R$ 25 milhões só no Estado. Para o gerente de agronegócios do Banco do Brasil, Gueitiro Matsuo Genso, a distribuição dos recursos foi priorizada para as agências de municípios onde prevalecem os pequenos produtores de feijão.
Para o técnico da Conab, João Figueiredo Ruas, o mercado vem superofertado desde o início do ano, quando entrou a primeira safra. Quando se esperava uma produção menor na segunda safra, em função da forte redução de área plantada, a produtividade foi boa e compensou a produção. Ele lembrou que o fato de os produtores terem segurado o feijão no início do ano, esperando uma alta de preços atrapalhou o mercado.
Os produtores não perceberam que a oferta da primeira safra, de 380 mil toneladas, apesar da quebra de safra, era um volume bastante expressivo numa época que o consumo cai mesmo. Era período de férias e tradicionalmente o consumo de feijão é bem reduzido nesse período. ‘‘Quando decidiram desovar a produção, a operação coincidiu com a entrada em produção de outros estados, provocando nova onda de baixas’’.
Isso porque o mercado paranaense e do sul do País é muito forte. Como daqui para frente, a tendência é de oferta decrescente do feijão, Ruas acredita que os recursos que estão sendo liberados vão ajudar a enxugar a produção em poder dos produtores. Ele espera uma reação nos preços do feijão para maio. ‘‘Se isso não ocorrer, os grandes produtores que plantaram feijão esse ano, vão partir para uma cultura mais rentável nas próximas safras’’, disse.

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