Brasília - O Ministério da Fazenda voltou a abrir o cofre e liberou R$ 2 bilhões para que o Banco do Brasil possa oferecer recursos adicionais aos agricultores a juros controlados de 8,75% ao ano, que é a taxa do crédito rural, para custeio da safra 2005/06. A fonte dos recursos é a Poupança Ouro do Banco do Brasil. Apesar da liberação, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o dinheiro deveria ter chegado antes. ''O dinheiro chega atrasado, mas há tempo de atender boa parte da agricultura brasileira'', comentou. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ligou para Rodrigues para comunicar a liberação.
Para o secretário de Política Agrícola do ministério, Ivan Wedekin, as liberações inesperadas têm explicação. ''Eu acho que há um superávit muito acima do previsto'', disse, referindo-se ao superávit primário, que é a economia que o governo faz para pagar juros. ''O mais importante é ter recursos na hora correta'', afirmou Wedekin. Rodrigues lembrou que o custeio da atual safra, que começou a ser cultivada em meados de setembro, pode ser feito até abril de 2006. ''Gostaria que os R$ 2 bilhões tivessem chegado em agosto'', observou Rodrigues.
Wedekin disse que a pasta negociava, desde setembro, a liberação de recursos adicionais para empréstimo aos agricultores a juros controlados. Com os R$ 2 bilhões, será possível ao Banco do Brasil melhorar o mix de taxa de juros ao produtor, ou seja, oferecer uma quantidade mais elevada de empréstimos a um menor custo financeiro.
De acordo com o secretário, o financiamento da safra 2005/06 foi complicado por vários motivos. O primeiro foi a queda no faturamento dos produtores com a produção de grãos. No ano passado, eles faturaram R$ 60 bilhões e para este ano a estimativa é de R$ 47 bilhões. A receita menor compromete a possibilidade de contratação de crédito.
A prorrogação da data de vencimento das dívidas de custeio da safra 2004/05 ampliou as dificuldades de financiamento, ressaltou Wedekin. O volume de empréstimos para custeio e comercialização entre julho e outubro de 2005 foi de R$ 12,4 bilhões, contra R$ 16,2 bilhões em igual período de 2004. O crédito caiu 24%.
Wedekin calculou que o governo federal gastou, neste ano, R$ 854 milhões para apoiar a safra agrícola, contra R$ 272 milhões em 2004. O valor gasto em 2005 permitiu apoiar a comercialização de 3,546 milhões de toneladas de grãos. ''Esse é o maior volume de apoio à comercialização nesta década'', afirmou.

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