Governo libera linha de crédito para suinocultura
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Ricardo Maia <br>Reportagem Local 
O governo federal anunciou ontem a prorrogação das dívidas de custeio com vencimento ou já vencidas em 2012 para até janeiro de 2013 para a suinocultura. O objetivo da medida é minimizar a crise de baixos preços que vem afetando o setor produtivo. Dentro do Plano Agrícola e Pecuário 2012/13, anunciado no final de junho deste ano, foi aberta uma linha de crédito para retenção de matrizes para produtores independentes. O valor limite previsto de R$ 1,2 milhão por produtor foi ampliado para R$ 2 milhões, com o prazo de pagamento mantido em até dois anos a juros de 5,5% ao ano. O plano já está disponível para compradores de suíno vivo com um preço já estabelecido em R$ 2 o quilo.
O governo federal também autorizou uma Linha Especial de Crédito (LEC) de R$ 200 milhões com taxa de juros de 5,5% para a suinocultura. De acordo com o anúncio do Ministério da Agricultura, os financiamentos serão liberados para produtores, agroindústrias, cooperativas e varejistas que estão em dificuldade de comercialização e manutenção da atividade.
De acordo com o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Francisco Simioni, o apoio oferecido por parte do governo federal é justo e bem-vindo. ''O nosso setor produtivo é organizado, mas o mercado não colaborou com a atividade'', destaca o pesquisador. Segundo ele, um dos principais motivos da crise da suinocultura foi o fechamento de mercados importantes como a Rússia e as restrições da Argentina e também dos países europeus que diminuíram as exportações de carne suína.
Simioni acrescenta que esses embargos aumentaram a oferta de animais no mercado interno, o que forçou para baixo o valor da carcaça. De acordo com o pesquisador, a média dos preços pagos aos produtores paranaenses tem variado entre R$ 1,80 e R$ 1,90 o suíno em pé, valor 20% abaixo dos custos de produção praticados no Paraná. Para tentar reverter esse quadro e aumentar a renda do suinocultor, o governo do Estado já estuda reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). ''Em Santa Catarina, o governo abaixou a alíquota para venda de animais de até 30 quilos'', salienta. Simioni acrescenta que preços mais competitivos elevam o consumo e regulam o mercado.
De acordo com informações do Ministério da Agricultura, dependendo da reação do mercado, o governo também prevê a definição de um preço de referência da carne suína em caráter excepcional (até o dia 28.12.2012) para as operações de subvenção de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) no valor de R$ 2,30/kg de animal vivo. A medida valeria para mercadoria originária da Região Sul e com limite de 50 mil toneladas para cooperativas e agroindústrias que adquiram o produto diretamente dos produtores independentes.
Diante dessa situação delicada do mercado, o criador Anésio Tribulato, de Rolândia, conta que tá tirando dinheiro do bolso para se manter na atividade. Com um custo de produção de R$ 2,30 o quilo, Tribulato não está conseguindo mais que R$ 1,90 pelo quilo do suíno da cooperativa a qual pertence. ''O meu prejuízo só não é maior porque eu planto milho, isso ameniza os meus gastos na produção dos animais'', explica. Além do alto preço dos insumos e um mercado defasado, o produtor tem que manter o pagamento de 14 funcionários para dar conta da granja, que possui seis mil animais. Tribulato afirma que muitas granjas na região já fecharam as portas porque não conseguiram se manter na atividade. ''Há 40 anos estou na suinocultura, mas nunca vi uma situação como essa. Espero que as exportações voltem ao normal para equilibrar novamente o mercado'', explica.
Exportações
De acordo com o chefe da área de suinocultura do Deral, Edmar Gervásio, o Paraná exportou no ano passado 61,5 mil quilos de carne suína, representando 12% as exportações brasileiras. De janeiro a abril deste ano, o Paraná exportou 30,5 mil quilos de carne suína. Em termos de produção, o Estado é o terceiro maior, com 6,6 milhões de cabeças, ficando somente atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugar.


