O Banco do Brasil (BB) volta a oferecer aos suinocultores, a partir do final do mês, uma linha de crédito para custear a retenção de matrizes. Com limite máximo de R$ 60 mil por criador, o financiamento tem prazo de pagamento de dois anos com juros de 8,75% anuais.
Não há um teto máximo de recursos disponíveis, que serão oferecidos de acordo com a demanda. O objetivo é evitar que os criadores tenham que se desfazer das matrizes neste período de dificuldade enfrentado pela suinocultura.
A linha de crédito foi reaberta para atender a uma reivindicação do setor, que está em crise há 17 meses em virtude do aumento no custo de produção e da super oferta no mercado. Outro pedido, que não será atendido pelo banco, é a prorrogação das dívidas contraídas pelos produtores por mais cinco anos, para débitos de custeio, e 20 anos para dívidas de investimento.
Segundo a assessoria de imprensa do BB, ''a prorrogação proposta não é razoável em termos de técnica bancária''. A instituição estendeu o prazo para pagamento das dívidas por 60 dias e está aberta a negociações individuais com os produtores.
O presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Romeu Carlos Royer, defende a criação de uma linha permanente de crédito para a categoria. ''Assim nós não precisaríamos estar constantemente pedindo ajuda'', explicou.
O produtor independente Nelson Guidoni, presidente da Associação de Suinocultores de Arapongas (Assuar) e membro da diretoria da Associação de Suinocultores do Norte do Paraná (Assuinopar) considerou que a linha de crédito veio tarde. ''Quem mais precisava já fechou a granja'', criticou, lembrando que, desde fevereiro, 80% das granjas da região fecharam suas portas. ''Em Arapongas, só sobraram três (granjas)'' exemplificou.
Nos últimos cinco meses, o País exportou 28 mil toneladas a mais que no mesmo período do ano passado. Somente em maio, o exterior comprou 50 mil toneladas. Embora o crescimento na exportação tenha ajudado, ainda não resolveu o problema dos suinocultores. Em audiência pública no dia 13 de junho com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, os criadores pediram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluisse a carne suína nas refeições oficiais para incentivar o consumo.
Na opinião de Royer, a solução para a crise passa pela união da cadeia produtiva e ações políticas. Para que o setor volte a crescer, ele acredita que será preciso que o consumo per capita/ano aumente de 1 kg a 1,5 kg, ou seja, de 170 a 240 mil toneladas a mais. ''Com isso, poderíamos até crescer 3%'', estimou.
Atualmente, o Paraná é o segundo maior produtor de carne suína do País (perdendo apenas para Santa Catarina) e o terceiro maior exportador (atrás de Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Juntos, os três estados representam 57% da produção nacional.

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