Governo leiloa álcool para reduzir preço
Agência Estado
De Brasília
O governo colocará 120 milhões de litros de álcool hidratado no mercado nos próximos 15 dias com o objetivo de forçar a redução dos preços do produto para o consumidor. Serão realizados dois leilões, cada um de 60 milhões de litros, sendo que o primeiro está marcado para o dia nove e o segundo para o dia 15 deste mês, informou ontem o Ministério da Agricultura.
Os 120 milhões de litros de álcool hidratado, que serão leiloados através do sistema eletrônico do Banco do Brasil, são provenientes dos estoques oficiais do governo estimados em cerca de 900 milhões de litros. A quantia a ser leiloada é suficiente para garantir 10% do consumo mensal do produto no País e corresponde entre 20% a 25% do consumo da região Centro-Sul.
Inicialmente o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeira anunciara que o governo iria leiloar 50 milhões de litros de álcool a cada 15 dias até que os preços do produto voltassem a se estabilizar. Em função dos feriados de fim de ano, no entanto, resolveu antecipar os leilões em alguns dias e aumentar o valor ofertado em 20 milhões de litros. A oferta de 60 milhões de litros também foi delimitada em função de questões operacionais referentes à remoção do álcool, que está sendo estocado pelos produtores do Centro-Sul, para centros de consumo.
Um técnico do Ministério da Agricultura explicou que para remover os 60 milhões de litros a ser ofertados no primeiro leilão, no dia nove, por exemplo, serão necessários 10 dias. Isso significa, segundo ele, que uma quantidade maior demandaria mais tempo, fazendo com que a demora do produto para chegar ao mercado acabasse anulando o impacto pretendido sobre a redução dos preços.
O leilão de parte dos estoques oficiais de álcool foi a alternativa de curto prazo encontrada pelo governo para neutralizar os aumentos sucessivos que o produto vem tendo desde o dia primeiro do mês passado, em decorrência da extinção do subsídio que era concedido às distribuidoras.
Além dos leilões, o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima) colegiado de ministros que delibera sobre a política nacional do setor também determinou a suspensão, no mês passado, dos financiamentos destinados a estocagem de álcool em poder do produtor (warrantagem) no valor de R$ 40 milhões. A expectativa é a de que, sem esses recursos, os produtores coloquem à venda os 260 milhões de litros de álcool que pretendiam estocar.
Além de não liberar os financiamentos para estocagem neste mês, o CIMA também decidiu não renovar as operações de warrantagem que foram feitas neste ano e pelas quais desembolsou R$ 160 milhões em empréstimos.
Esses recursos foram suficientes para financiar a estocagem de 760 milhões de litros de álcool. Sem o refinanciamento, o Ministério da Agricultura conta com a colocação gradual desses 760 milhões no mercado já a partir deste mês .





