O Ministério de Minas e Energia vai lançar nas próximas semanas um programa de eletrificação rural que irá custar R$ 2 bilhões e deve beneficiar 1 milhão de propriedades rurais em quatro anos. ‘‘Será o maior programa de eletrificação rural já feito no País’’, afirmou ontem o ministro Rodolpho Tourinho que reuniu-se com um representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, para discutir detalhes do programa.
O projeto será executado integralmente pelas empresas privadas de distribuição de energia. O ministro afirmou que já estão garantidos R$ 1,5 bilhão de recursos próprios da Eletrobrás para este financiamento. Os demais R$ 500 milhões devem ser alocados pelo BID e pelas concessionárias. Tourinho ressaltou que o volume total de investimentos pode até ser superior aos R$ 2 bilhões, caso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seja também incorporado ao programa. ‘‘Será um projeto de vulto’’, resumiu Tourinho.
O financiamento será destinado às empresas de distribuição de energia para que a eletricidade seja implantada em áreas rurais pouco atrativas. ‘‘No momento, as concessionárias são obrigadas a instalar iluminação até onde consideram economicamente viável’’, disse o ministro Tourinho. As empresas terão cinco anos para pagar, depois de dois anos de carência, a uma taxa de juros de 6,5% ao ano. ‘‘Com certeza, o proprietário rural terá melhores condições que estas’’, disse o ministro.
O desembolso dos recursos deverá ocorrer a partir do final deste ano, para que haja tempo suficiente para as concessionárias planejarem sua forma de atuação. ‘‘Elas têm que fazer seus planos’’, explicou Tourinho. Ele ressaltou que os Ministérios da Reforma Agrária e da Agricultura poderão ser chamados ‘‘quando for necessário para saber quais são as áreas prioritárias’’. A definição final, porém, será das empresas de energia. ‘‘Quem vai fazer isto é o setor privado e nós vamos financiá-lo’’, afirmou o ministro.
Segundo Tourinho, desde a década de 80 o BID não participa de um amplo programa de eletrificação rural no País. O banco já financiou três programas do gênero. Entre 1974 e 1984, foram gastos US$ 180 milhões para atender 130 mil propriedades. Outro programa, entre 1976 e 1979, beneficiou 120 mil propriedades e custou US$ 300 milhões. O último ocorreu entre 1984 e 1988, fez 225 mil ligações ao custo de US$ 700 milhões.

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