Governo lança programa de revitalização de ferrovias
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quinta-feira, 22 de maio de 2003
José Ramose Gustavo Paul<br> Agência Estado 
Brasília O governo federal lançou ontem, em cerimônia no Palácio do Planalto, o Plano Nacional de Revitalização das Ferrovias, o primeiro grande projeto de mudança do setor desde o início das privatizações da Rede Ferroviária Federal, em 1995.
Um dos principais objetivos do plano é a ''integração das ferrovias e a reconstituição dos corredores de transportes'', o que deverá reduzir o custo do frete, barateando, por exemplo, as exportações. Para tornar viável esse novo esquema, o governo acertou com as concessionárias uma troca de ativos, ou seja, parte dos trilhos existentes vai mudar de dono.
A expectativa oficial é que o plano atraia investimentos privados de R$ 1,2 bilhão no setor até o fim de 2004. O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, disse que está sendo feita uma correção no programa de privatização realizado no governo passado, que, segundo ele, provocou distorções por ter sido adotado com muita rapidez e ter sido focado mais na arrecadação de recursos.
Adauto informou ainda que a troca de trechos ferroviários entre as concessionárias - MRS Logística, Ferroban (antiga Fepasa), ALL (America Latina Logística) e FCA (Ferrovia Centro Atlântica) - será precedida de audiências públicas, a primeira delas no próximo dia 29, em Brasília.
Com a reorganização das malhas, o País terá quatro grandes corredores ferroviários se dirigindo ao Porto de Santos. Dois vindos da Região Centro-Oeste, um do Sul e outro de Minas Gerais e Nordeste. O governo espera uma redução de 20% a 30% nos custos operacionais das ferrovias para escoamento da produção do Centro-Oeste para Santos.
O programa prevê também a modernização da malha, com prioridade para as ferrovias Norte-Sul, Transnordestina e Ferronorte. Outro ponto é a recuperação do transporte de passageiros, com trens velozes nas áreas de alta densidade e projetos turísticos em regiões como o Pantanal e o Circuito do Ouro de Minas Gerais.
Durante a solenidade no Planalto, o presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Guilherme Laager, disse que, embora o setor tenha problemas, houve grandes avanços com a privatização da malha federal. Ele afirmou que, de 1996 a 2002, o volume de carga transportado por ferrovias, no País, cresceu 43% e a participação das ferrovias na matriz de transporte subiu de 19% para 23%. No mesmo período, os acidentes no setor cairam 35%, a produtividade dobrou e foram investidos R$ 3 bilhões pelas concessionárias.


