Governo lança Proer da agricultura
Agência Estado
Arquivo FolhaSecuritizaçãoRenegociação da dívida vai atender produtores que integram os chamados bolsões de endividamento e estão concentrados principalmente nas lavouras da Região Centro-Oeste e no Rio Grande do SulO governo está preparando um programa para salvar pelos menos 400 cooperativas agropecuárias, que estão atoladas em dívidas. O projeto está sendo apelidado no setor como Proer da agricultura, uma alusão ao programa de salvamento dos bancos privados. O volume de empréstimos deve superar R$ 2,5 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão para renegociação dos prazos das atuais dívidas, com redução de juros, e R$ 1 bilhão para novos investimentos.
Antes de embarcar para a Suíça, na próxima quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso deve assinar um decreto criando o comitê executivo para revitalização de cooperativas agropecuárias. A primeira reunião entre governo e representantes dos cooperativados, já está marcada para quinta-feira, no Ministério da Fazenda, em Brasília. O comitê, que será presidido pelo representante da Fazenda, contará com representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), do Banco Central, do BNDES e dos Ministérios do Planejamento e Agricultura.
Mas, enquanto no governo os técnicos evitam antecipar o teor do texto que será assinado, alegando que este é apenas um primeiro passo para se examinar os problemas do setor, na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) o diretor-superintendente Amilcar Gramacho antecipou-se. Ele informou que as negociações, realizadas durante todo o segundo semestre do ano passado, já foram concluídas e que o presidente Fernando Henrique assinará, agora, um programa de execução, liberando os recursos, que deverão ser provenientes, pelo menos em parte, do FAT - Fundo de Amparo ao Trablhador e do BNDES.
Amilcar Gramacho prefere não chamar o programa de Proer da agricultura. Ele diz que o projeto já tem nome e se chama Recoop - Programa de Revitalização das Cooperativas. O Recoop permitirá a fusão e reestruturação das cooperativas. Segundo ele, das 1.400 cooperativas que existem no País, cerca de 400 deverão se candidatar a obter o benefício. Não serão incluídas no programa as cooperativas que já estão em processo de liquidação.
Gramacho explicou que a liberação dos recursos para as cooperativas será feito caso a caso, analisando detidamente a situação daquele conglomerado. Dos recursos destinados ao alongamento das atuais dívidas, R$ 100 milhões se referem à securitização, R$ 600 milhões a partes antigas de operações de cotas, R$ 600 milhões de dívidas dos cooperados junto às cooperativas e R$ 300 milhões de alongamento de dívidas de tributos como INSS e outros impostos.
O diretor da OCB ressaltou que nas negociações mantidas durante o ano passado, técnicos do governo informaram que a intenção do Palácio do Planalto era encontrar uma fórmula que não deixasse as cooperativas agropecuárias quebrarem porque elas representam um segmento muito importante para a manutenção da estabilidade da moeda.





