O presidente FHC disse ontem, em solenidade oficial de lançamento do BB Rural Rápido, o crédito rotativo - uma nova modalidade de crédito para facilitar os empréstimos ao pequeno produtor -, que o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é que dará sustentação à reforma agrária no País. ‘‘Se ilude quem pensar que no Brasil as questões se resolvem só com agrobusiness’’, observou o presidente, acrescentando que desapropria terra diariamente, mas com consciência de que só isso não resolve o problema. ‘‘Se não tiver uma agricultura familiar ativa, não adianta assentar.’’
Após a assinatura dos primeiros seis contratos do BB Rural Rápido, nome atribuído pelo Banco do Brasil ao Pronaf Rotativo, o presidente se dirigiu aos agricultores de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Ceará, Tocantins e Santa Catarina, e destacou uma das principais vantagens do novo sistema. ‘‘Os senhores só precisarão voltar aqui a cada cinco anos, mas é melhor ir ao banco, porque eu não tenho dinheiro’’, brincou.
O crédito rotativo é uma espécie de cheque especial, válido por dois anos, com renovação automática por cinco anos e livre movimentação da conta corrente. O limite de crédito é de R$ 5 mil por produtor, com juros de 6,5% ao ano.
O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse esperar que, a exemplo do Banco do Brasil, outras instituições bancárias participem do Pronaf Rotativo, para facilitar ainda mais o acesso do homem do campo ao crédito. Lembrou que em 1995, quando o Pronaf foi criado, o governo atendeu 16 mil pequenos produtores, aplicando R$ 36 milhões e o objetivo este ano é atingir 600 mil produtores, com R$ 1 bilhão destinados ao custeio agrícola do programa.
Defesa Sanitária Além do Pronaf Rotativo, o governo vai repassar recursos a fundo perdido para obras de infraestrutura e serviços às prefeituras de 583 municípios escolhidos no programa. Convênio entre a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Agricultura assinado ontem prevê a liberação de R$ 110 milhões até o final do ano, sendo que cada município receberá de R$ 150 mil a R$ 200 mil.
Ainda na solenidade no Palácio do Planalto, o ministro da Agricultura assinou convênios com governadores para a criação do sistema unificado de atenção à saúde animal e vegetal, no valor total de R$ 65 milhões. As ações de defesa agropecuária serão descentralizadas e, segundo o ministro, nos próximos dois anos, 85% do rebanho brasileiro deverá estar livre da febre aftosa, prevendo a erradicação total da doença para os próximos cinco anos.

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