Curitiba - O governador Roberto Requião e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, lançaram ontem o Corredor de Congelados do Paraná, que pretende aumentar as exportações de carnes pelos portos de Paranaguá e Antonina. Investimentos públicos e privados devem fazer com que a capacidade de armazenagem frigorífica nos terminais chegue a 58 mil toneladas. Além disso, a inauguração de uma nova sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) dentro do porto deve agilizar a liberação de carnes vendidas para o exterior. A intenção é colocar os portos paranaenses entre as principais portas de saída do produto.
''Queremos aumentar o fluxo de exportações, acabando com o monopólio de Santos'', declarou Requião. ''Mas não é uma iniciativa contra Santos, é uma ampliação da possibilidade de exportação que atende o Brasil todo'', acrescentou. O ''monopólio'' citado pelo governador refere-se especialmente às vendas de carne bovina a outros países. No ano passado, das quase 2 milhões de toneladas exportadas, 77% saíram pelo porto paulista. Outros 16% embarcaram em Santa Catarina e apenas 5% no Paraná. A posição dos portos do Estado melhoram em se tratando de exportações de carne de frango, respondendo por 35% (contra 44% de Santa Catarina e 7% de Santos), e de suínos, com 16% (contra 67% dos catarinenses e apenas 1% dos paulistas).
Requião afirmou, no entanto, que o corredor de congelados não pretende colocar o Paraná no topo das exportações de carne. ''O importante é que será mais um porto de congelados. Se será o maior, ainda não sabemos'', disse. Para ele, outro aspecto importante do projeto é a diversificação das atividades do porto de Paranaguá. ''Como porto graneleiro que era, Paranaguá só funcionaria na safra, deixando os portuários sem trabalho (fora desse período). Hoje, ele é um porto misto'', justificou o governador.
O ministro Reinhold Stephanes também elogiou a inicitaiva. ''Quase 50% de toda a carne que é exportada no mundo sai do Brasil e todas as opções que tivermos para agilizar essas exportações são ótimas'', afirmou. Ele disse acreditar que, no futuro, o Corredor de Congelados do Paraná pode se tornar a principal porta de saída da carne brasileira. Para o ministro, nem mesmo as restrições impostas no momento pela União Européia à carne do País podem prejudicar o projeto. ''O Paraná já pode exportar para 150 países, a única que não liberou foi a União Européia. Mas estamos fazendo um trabalho muito forte para, até o fim deste ano, voltar a exportar para essa região'', justificou.
Para incentivar a criação de um corredor de exportação de carnes por Paranaguá, os governos estadual e federal apostaram em parcerias com empresas que já atuam no transporte e armazemaneto de congelados em Paranaguá e Antonina. Entre elas, o frigorífico Martini Meat, que exporta 33 mil toneladas por mês e que, em no máximo dois meses, deve dobrar sua capacidade de armazenamento. ''Hoje a nossa câmara em Paranaguá tem capacidade para 14,5 mil toneladas. Em função dos investimentos e do interesse dos governos, resolvemos investir cerca de R$ 35 milhões para ampliar a capacidade em 15 mil toneladas'', afirmou o gerente operacional da empresa, Fuat Kuce.
Segundo ele, um dos principais investimentos público no projeto foi a construção de uma nova sede do MAPA, inaugurada ontem dentro do porto de Paranaguá. Além disso, o ministério terá mais funcionários e a unidade funcionará ininterruptamente. ''Isso vai agilizar o processo de liberação e certificação da carne, facilitando muito o nosso trabalho'', disse. Kuce afirma que, somente com essa medida, a empresa espera aumentar em até 22% sua produtividade.

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